
Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no ano, o que menos despertava atenção era a decisão sobre o patamar do juro em si. Com mercado precificando e o próprio colegiado ventilando a manutenção dos 15% ao ano — confirmada nesta quarta-feira (10) — , o comunicado que acompanha a decisão era o item mais aguardado. A nota não deu pistas sobre o futuro e adotou tom que parece fechar de vez a porta para corte na Selic na primeira reunião do ano que vem, marcada para janeiro.
Ao destacar que segue acompanhando os anúncios mais recentes sobre o tarifaço dos EUA contra o Brasil e a política fiscal doméstica, o Copom afirma que o cenário segue nebuloso, marcado por projeções de inflação ainda elevadas, resiliência na atividade econômica e mercado de trabalho ainda aquecido.
Com isso, seria necessária uma “política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”. Além disso, o Copom afirma que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”. Ou seja, não dá sinais de redução do juro no curto prazo.
Com essa falta de nitidez sobre as próximas decisões da autoridade monetária, aumentam as apostas em corte do juro apenas em março ou abril. Inclusive, essas projeções já vinham ganhando força ao longo das últimas semanas. Na última segunda-feira, por exemplo, o Relatório Focus já havia revisado a expectativa de Selic para 2026, elevando na margem, de 12% para 12,25% ao ano.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, estima corte na reunião de março. Em janeiro, deve apenas preparar o terreno. Na avaliação de Sung, o tom mais duro do Copom tem o objetivo de não atrapalhar a condução da política monetária e manter a credibilidade:
— O Banco Central está adotando uma estratégia correta a fim de evitar ruídos que possam comprometer a condução da política monetária ou criar qualquer tipo de otimismo para o mercado, em um momento no qual a economia brasileira segue em trajetória de moderação, de transição. Estamos enxergando uma desaceleração da economia para termos um hiato do produto negativo, com desaceleração do mercado de trabalho mais para o final do ano, início do ano que vem.
Agora, as expectativas se voltam para a reunião de janeiro. Se o BC vai finalmente deixar mais clara a estratégia para o juro básico do país ao longo de 2026. Por se tratar de ano eleitoral, não se espera movimento mais contundente do órgão. Mas, com o ano começando com sinais mais claros da desaceleração da economia, se tende a imaginar um recado menos turvo. No entanto, o risco fiscal segue no radar.




