
No mercado financeiro, já é 2026. Esta terça-feira (30) teve o último pregão do ano, em que parte das atenções já está focada na sucessão presidencial. Apesar da grande remessa de lucros ao Exterior em dezembro por parte de multinacionais com unidades no Brasil – até o dia 19, saíram US$ 9,2 bilhões pelo fluxo financeiro, conforme o Banco Central –, o dólar encerrou o ano com o mesmo sinal que marcou os últimos 12 meses: negativo. Fechou o dia com baixa de 1,47%, em R$ 5,489.
No ano, o dólar acumulou queda de 11,2%, promovendo 2025 a melhor ano do ponto de vista da apreciação do real desde 2016.
Para dar uma ideia do que foi a saída financeira no mês, a acumulada em todo o ano até o dia 19 foi de US$ 70,7 bilhões. Não foi um volume fora do habitual (13% do total) no último mês. Esse é um movimento sazonal, que ocorre todos os finais do ano, quando as empresas fecham suas contas. Havia temor de maior intensidade, inclusive ante a perspectiva de tributação de dividendos, que acabou não se confirmando.
Nem a menor taxa de desemprego da atual série histórica, que no passado costumava azedar o humor do mercado por sinalizar que a atividade não está desacelerando de forma significativa pelo juro alto, foi capaz de inquietar os operadores que atuam nesses dias de menor movimentação.
A pouco mais de uma hora do fechamento, a bolsa também se encaminha para um dia positivo, com alta na casa de 0,7%. No ano, o principal índice, o Ibovespa, acumulou alta de 33% e registrou 32 recordes. Tanto a baixa do dólar quanto a alta da bolsa tiveram como principal motor o interesse dos investidores estrangeiros no Brasil, motivado pela diferença de juro em relação aos Estados Unidos.
Muitos investidores e especuladores do mercado financeiro fazem o chamado "carry trade": tomam dinheiro emprestado a juro baixo – neste mês, a o básico nos EUA é de 3,75%, enquanto no Brasil é de 15% – e aplicam em países onde a remuneração só da taxa é mais alta, ainda que com risco pouco maior. Mesmo que o ativo escolhido não se valorize muito, já ganham no chamado diferencial de juros.
*Colaborou João Pedro Cecchini






