
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Enfim, está funcionando o aeromóvel com DNA gaúcho que liga o metrô de São Paulo aos três terminais do aeroporto de Guarulhos, o maior do país. As operações iniciaram na última semana, com acesso restrito aos funcionários do aeroporto.
Essa é a primeira fase de testes com passageiros antes da abertura oficial, ainda sem data programada. O chamado People Mover tem tecnologia da gaúcha Aerom e adota o mesmo modelo de veículo usado no Salgado Filho, onde ainda não há perspectiva de retomada depois da enchente de maio de 2024.
Outras empresas com forte presença no Rio Grande do Sul também participaram do projeto, como Marcopolo, Randoncorp, Metal Work, Pandrol e Redan. Essas companhias forneceram desde o próprio veículo até componentes específicos para o funcionamento do sistema.
Havia expectativa de que a operação começasse há alguns anos, mas, segundo o CEO da Aerom, Marcus Coester, interrupções burocráticas, validações e a necessidade de se conciliar as obras com o funcionamento do aeroporto contribuíram para o atraso na entrega:
— Hoje, o sistema já está todo concluído. Uma particularidade que é inédita em nível mundial é a certificação de segurança. Trouxe um grau de complexidade muito relevante para implantação. O arcabouço de engenharia é cinco vezes mais trabalhoso — diz Coester.
Como está funcionando
O aeromóvel opera em Guarulhos com velocidade e capacidade limitadas. Do máximo de 300 passageiros, só pode transportar cem neste primeiro momento, das 18h à meia-noite. A linha tem extensão de 2,7 quilômetros.
O consórcio responsável pela aeromóvel é o AeroGRU, formado por Aerom, HTB (responsável pela obra de ampliação do Salgado Filho), TS Infraestrutura e FBS, empresas que venceram a licitação em 2019.
O People Mover é composto por dois carros articulados e circula por meio de propulsão pneumática, com ar que empurra ou puxa uma placa fixada no aeromóvel. O sistema deve funcionar com dois veículos. O custo da obra é estimado em cerca de R$ 300 milhões.
*Colaborou João Pedro Cecchini


