
Enquanto a Suprema Corte dos Estados Unidos avalia a legalidade do tarifaço, o o presidente Donald Trump piscou e afirmou que pretende reduzir a sobretaxa aplicada sobre o café. Muito sincronismo para ser só coincidência. Aliado ao aceno de "distribuição de lucros" da medida feito no final de semana – outra iniciativa que evidencia a percepção de falta de apoio popular –, parece que a conta começou a chegar na Casa Branca.
Desde que Trump começou a falar sobre tarifas – ainda antes do famigerado "Dia da Libertação", quando anunciou a imposição para quase todo o mundo –, surgiram advertências de que a consequência mais previsível de um aumento massivo no imposto de importação resultaria no aumento de preços dos produtos afetados para os americanos.
Na conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump já havia admitido que os americanos estavam "sentindo falta" do café brasileiro. Não é por favor ou tentativa de agradar: o Brasil é o maior produtor de café arábica – considerado o de maior qualidade – do mundo, com 43,7% do total. A Colômbia tem mais marketing, mas vem em um segundo lugar distante, com 13,2%.
A coluna já havia observado que a esperança era de que os americanos reclamassem do aumento de preços do café da manhã – café, ovo, bacon e suco de laranja. Parece que já começaram. O aceno para baixar a tarifa do café ocorre em paralelo com outro sinal de que as tarifas estão provocando o efeito prejudicial ao consumidor americano antecipado é a investigação aberta pelo Departamento de Justiça (DoJ) americano contra os frigoríficos do país.
— Pedi ao DOJ que inicie imediatamente uma investigação sobre as empresas frigoríficas que estão elevando o preço da carne bovina por meio de conluio ilícito, fixação de preços e manipulação de preços — escreveu Trump na sua rede Truth Social.
É mais um capítulo da crise que já enfureceu os criadores de gado americanos quando seu presidente acenou com a compra de carne da Argentina para ajudar o aliado Javier Milei, presidente do país, a vencer nas eleições parlamentares de outubro.
O melhor que o DoJ poderia fazer para identificar o responsável pelo aumento de preços seria oferecer um espelho ao atual presidente. Difícil é saber se ele vai se reconhecer na imagem.





