
Sim, a conta do tarifaço começou a bater à porta da Casa Branca. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acenou com redução da barreira para produtos como café, cacau e banana, mas não para o Brasil. Ao menos por enquanto, seriam contemplados apenas países da América Latina que negociaram acordos comerciais mais amplos, dando maior acesso à importação de produtos americanos.
Em acertos feitos com Argentina, Guatemala, El Salvador e Equador, a tarifa de 10% seria mantida para os três primeiros, e uma alíquota de 15% valeria para os equatorianos. Mas a venda de produtos não produzidos nos Estados Unidos teria exceções ao menos "em quantidade suficiente".
Conforme a agência de notícias Reuters, um funcionário da Casa Branca afirmou que Trump espera que os varejistas repassem os "efeitos positivos" nos preços aos consumidores. Dos quatro, apenas a Guatemala aparece entre os 10 maiores produtores mundiais de café, e ainda assim na 10ª posição. O Brasil é o maior há 150 anos. Guatemala e Equador são os maiores exportadores de bananas para os EUA. Será que a fruta está fazendo mais falta do que o café?
Na véspera, o Brasil teve de se contentar com uma iniciativa de aperto de mão e uma postagem em redes sociais do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Vieira relatou que espera uma resposta rápida sobre o "mapa do caminho" que definirá as negociações do tarifaço e outras pendências comerciais.
Na Argentina, o acordo é festejado, mas especialistas locais advertem que ainda não é totalmente conhecido, e envolve abertura ampla do mercado local para produtos americanos em áreas que vão da farmacêutica à automobilística, passando pelo setor agrícola. Setores envolvidos esperam conhecer os detalhes para se manifestar.
Pela reação do mercado financeiro, os termos parecem mesmo ameaçar a produção argentina: conforme o site de economia Ámbito, nesta sexta-feira (14), há baixas significativas tanto os títulos em dólares quanto os papéis que representam ações de empresas locais em Nova York, as ARDs. A imprensa argentina já especula sobre os efeitos do acordo firmado pelo presidente Javier Milei no já combalido Mercosul.



