
Depois de registrar prejuízo de R$ 26 milhões no terceiro trimestre deste ano, redução de 96% sobre a perda do mesmo período do ano passado, a Braskem, dona da maior parte do polo petroquímico de Trinfo, informou nesta terça-feira (11) que ainda não tem definição para o seu processo de reorganização de capital. Segundo o CEO da empresa, Roberto Ramos, não há plano de vendas de ativos.
— Não temos no momento nenhum plano de venda de nenhum ativo (em separado). Os estudos de readequação do equilíbrio entre capital próprio e de terceiros são muito preliminares. Para mim, vender ativo significa trocar fluxo de caixa futuro por atual — disse Ramos ao responder sobre especulação de venda de unidades, como as do ABC Paulista.
Pouco antes da conferência de apresentação de resultados, havia circulado no mercado a informação de que a Novonor, controladora da Braskem, estaria perto de fechar acordo de venda de sua participação na companhia para o fundo IG4 Capital. As ações da petroquímica reagem bem e sobem perto de 11% na bolsa de valores brasileira (B3) no início desta tarde.
Conforme a agência de notícias Bloomberg, o negócio poderia ser assinado ainda nesta semana. A Braskem anunciou na noite de segunda-feira (10) um acordo com o Estado de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações relacionadas aos danos geológicos em Maceió em 10 parcelas anuais, com valores mais altos concentrados depois de 2030. Isso pode ajudar nas negociações de venda.
— O avanço que a companhia vem implementando (nos acordos sobre passivos em Alagoas) reduz incertezas — reiterou o diretor financeiro da Braskem, Felipe Jens.
Testes com gás
A companhia também afirmou ter concluído o estudo para importar gás da jazida de Vaca Muerta, na Argentina, e substituir a nafta como matéria-prima em unidades no Rio Grande do Sul, consideradas pela Braskem as mais competitivas da América Latina. Segundo Jens, há potencial de rentabilidade adicional de cerca de US$ 110 por tonelada em comparação com a nafta.
Ramos acrescentou que o uso de propano, principal componente do chamado gás liquefeito de petróleo (GLP), já começou, mas só em um dos fornos do polo gaúcho.
— Ainda não está em regime constante, estamos em processo de ensaio. O rendimento do forno está muito bem, rodando com propano inclusive com desempenho um pouco superior às nossas expectativas.
O imbróglio da Braskem
A Braskem está à venda desde 2018. A companhia é controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), que entrou em crise depois da operação Lava-Jato. A empresa privada tem 38,3% do capital total da Braskem e 50,1% das ações ordinárias, enquanto a Petrobras tem 36,1% do capital social e 47% das ordinárias.
O primeiro ensaio, em 2019, foi uma tentativa de evitar a recuperação judicial da então Odebrecht, mas fracassou, por falta de transparência na avaliação dos passivos por danos na mineração de sal-gema em Maceió (AL). Não por acaso, o pedido de RJ veio 15 dias depois.
Ainda houve tentativas de venda à estatal de petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, e ao fundo Petroquímica Verde, do polêmico empresário Nelson Tanure, que também não avançaram. Uma outra anterior era entre os os bancos credores da Novonor para executar a dívida com garantia nas ações da Braskem e passar a gerir a empresa a partir do fundo Geribá, que já foi controlador da Polo Films, uma das raras empresas do polo que não pertence à Braskem.
*Colaborou João Pedro Cecchini





