Ainda é necessário reconstruir escolas estaduais afetadas pela enchente de maio de 2024, mas também é hora de pensar em soluções de adaptação para o futuro das edificações na área de educação como resposta aos desafios da mudança climática.
Um dos projetos existentes é o Escolas Resilientes, que dá diretrizes para adaptação e reconstrução de escolas públicas em áreas de risco hídrico no Rio Grande do Sul. Um modelo será construído na Ilha da Pintada, em Porto Alegre, como forma de reestruturar a Escola Estadual de Ensino Médio Almirante Barroso, localizada às margens do Rio Jacuí e invadida pela água no ano passado.
Com a proposta, os escritórios Andrade Morettin Arquitetos Associados e sauermartins (com inicial minúscula, mesmo), responsáveis pelo plano a convite do Instituto Unibanco e da Secretaria da Educação do Estado (Seduc), venceram o Grande Prêmio da América Latina no Holcim Awards, considerada a maior premiação internacional dedicada à arquitetura sustentável, no último dia 20.
Houve outros quatro vencedores regionais, de Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio e África, e América do Norte.
Como é uma escola resiliente?
Uma das questões centrais do projeto Escolas Resiliente é não só suportar a invasão da água, mas também aprender a conviver com novas enchentes que certamente virão.
— A escola-modelo vai ser elevada, porque se vier a acontecer uma enchente como a do ano passado, a gente propõe que a escola não seja 'resistente à cheia'. A ideia é que a água passe por baixo — diz Cássio Sauer, sócio do sauermartins.
Salas de aula, laboratórios e biblioteca da escola Almirante Barroso, escolhida como modelo do projeto, devem ocupar andares superiores. O térreo será uma área livre, com vegetação para ajudar na absorção e retenção da água, conceito também conhecido como esponja. No último pavimento, a proposta é construir ginásio, vestiários e refeitório, alimentados por infraestrutura autossustentável, como painéis solares, reservatório de água e tratamento próprio de esgoto.
— As escolas estaduais estão bastante distribuídas pelo território do Estado e podem servir de apoio em caso de emergências, para abrigar as pessoas. Em caso de inundação, também será possível acessar a escola de barco em todos os pavimentos — complementa Elisa Martins, também sócia do sauermartins.
Segundo a Seduc, o processo para a construção da escola-modelo se encontra na fase final da elaboração do projeto. A licitação está prevista para o primeiro semestre de 2026.
As diretrizes definidas são adaptáveis e replicáveis, para orientar a reconstrução ou transformação de escolas públicas em estruturas mais resilientes a novos eventos climáticos extremos.
*Colaborou João Pedro Cecchini


