
Até há pouco, quando a taxa de desemprego caía, a bolsa tombava e o dólar subia. Nesta sexta-feira (28), mesmo com sinal de mercado de trabalho aquecido, o Ibovespa quebrou novo recorde nominal: subiu 0,45%, para 159 mil pontos, nova máxima história na B3. O dólar recuou 0,31%, para R$ 5,335.
No dia em que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em outubro, a menor da série histórica iniciada em 2012, o mercado escolheu olhar para outro lado. Antes, despertaria temor de desincentivo a corte de juro por aqui, porque é um sinal de economia ainda aquecida.
— A expectativa de flexibilização do juro nos EUA, agora em dezembro, e a possibilidade de indicação de um novo presidente do Fed (Federal Reserve, o BC americano) com perfil mais dovish (suave), tem animado os mercados de títulos — detalha Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
Um eventual novo corte de juro nos EUA amplia o chamado "diferencial de juro", que faz investidores estrangeiros buscarem mercados emergentes como o Brasil para aplicar seus recursos, porque aqui têm remuneração maior.
Como a sexta-feira foi o último dia útil de novembro, o Ibovespa acumulou ganhos de 6,46%. Foi a segunda maior alta mensal do ano, só superada por agosto. No dia seguinte ao Dia de Ação de Graças nos EUA, o mercado americano encerrou os negócios mais cedo, e a bolsa nacional perdeu um pouco de tração sem a referência americana.
O dia também foi marcado por uma falha em um datacenter que provocou interrupção nos negócios do Chicago Mercantile Exchange Group (CME Group). A falha teve impacto em outros mercados, como os futuros do índice S&P 500, o mais abrangente da bolsa de Nova York e nas negociações dos títulos do Tesouro dos EUA, que tiveram forte queda.




