
Embora tenha mantido todas as expressões que estavam na mira do mercado como passíveis de mudança para sinalização de um futuro corte no juro, o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) fez uma pequena mudança no discurso, uma espécie de mensagem cifrada que parte do mercado vê como preparação do caminho para o esperado início do ciclo de baixa da Selic.
Na prática, a estratégia dispersou ainda mais as apostas: há casas de investimento avaliando que o corte foi adiado ao menos até março, outras mantêm a aposta em uma redução na primeira reunião de 2026, dias 27 e 28 de janeiro. Agora, o mercado aguarda com ansiedade a ata da reunião, que estará disponível na próxima terça-feira (11), para identificar novos sinais de cautela ou otimismo.
A pequena mudança que sustenta a esperança de redução precisa de um certo otimismo para ser interpretada como sinal de corte futuro, mas está lá: o Copom agora afirma que a atual estratégia "é suficiente" para garantir a convergência da inflação, enquanto antes "avaliava se" o atual nível da Selic seria adequado.
A dispersão das expectativas
Julio Barros, economista do Banco Daycoval
"Em linhas gerais, o Comitê manteve o tom duro indicando a necessidade de ter uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado. Também manteve o entendimento de que o ciclo de alta pode ser retomado caso julgue necessário. Com isso, entendemos que a probabilidade de corte de juros em janeiro pode ser pequena."
Ariane Benedito é economista-chefe do PicPay
"No comunicado, o Banco Central manteve o tom contracionista, mas com ligeira suavização na retórica em relação à reunião anterior. A mudança, embora sutil, indica maior confiança na efetividade da política monetária, sem sinalizar antecipação de cortes."




