
Para quem acompanha o Relatório Focus do Banco Central (BC), não foi tão inesperado, mas para a maioria dos brasileiros é surpreendente que o mercado tenha previsto agora inflação dentro do teto da meta neste ano. O Focus é um sistema de consulta a cerca de uma centena de economistas e mostra os resultados apontados pela maioria (chamada de "mediana").
E o cenário dominante apresentado nesta segunda-feira (17), é de o IPCA feche o ano em 4,46%, um pouco abaixo do limite da margem de tolerância máxima, que é de 4,5%. Não por acaso, essa projeção veio logo depois de uma real surpresa positiva com a inflação, que ficou quase invisível em outubro, oscilando apenas 0,09% para cima.
E também nesta segunda-feira (17), saiu o resultado do Indicador de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), com novo declínio de 0,24% em setembro e uma queda acumulada de 0,89% entre julho e setembro (um trimestre móvel). É outro resultado esperado do juro básico nas alturas. E agora, quando sai o esperado corte da Selic?
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) e, principalmente, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, desautorizaram expectativas de corte no curtíssimo prazo. Parte do mercado forçava a mão para ver otimismo no comunicado e na ata da mais recente reunião do Copom, mas Galípolo freou as expectativas com uma frase:
— O BC não está, com sua comunicação, dando sinais sobre qualquer tipo de movimentação futura. Não é essa a intenção.
Um dos problemas é que, agora, inflação que está na mira do BC é a de novembro de 2027. Esse é o "horizonte relevante", conforme a ata publicada na semana passada. Mas o fato de a expectativa do IPCA ter entrado para dentro da margem de tolerância já desmonta um dos discursos do Copom. O texto afirmava: "As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio, mas permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes.
Em um, não está mais. Mas o quanto inflação e atividade desaceleradas podem acelerar um corte de juro só será possível saber no comunicado da última reunião do Copom do ano, em 10 de dezembro. Isso, se não contrariar expectativas mais uma vez.





