
Atualização: em depoimento no Congresso que já estava marcado antes da operação, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estimou a fraude do Master em R$ 12 bilhões. Na casa do vice-presidente do banco, Augusto Lima, R$ 1,6 milhão em dinheiro em espécie foram apreendido. A quantia seria estranha em caso de outro negócio, no caso de um "banqueiro", ainda mais.
Uma liquidação de um banco do porte do Master não era vista desde os anos 1990, quando o Banco Central (BC) fez um programa extenso para dar solidez ao sistema financeiro nacional. Com prisão do proprietário, Daniel Vorcaro, é ainda mais rara. Como sempre que algo inusual ocorre nesse segmento sensível, há impactos visíveis e os não tão claros. Nesse caso, há tantas camadas que ainda vai levar certo tempo para compreender todas.
Em primeiro lugar, a decisão do BC significa que será acionado o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para operações de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, que compensarão quem tinha aplicações no Master. Acima disso, haverá perdas para investidores e, possivelmente, para outras instituições financeiras. O mais impactado é o BRB, o Banco de Brasília. Seu presidente, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia Júnior, já foram afastados do cargo por decisão judicial.
O que a Operação Compliance da Polícia Federal (PF) apontou para justificar seis prisões e 25 mandados de busca e apreensão foi a existência de operações fraudulentas, ou seja, o Master falsificava créditos para se alavancar. Um dos casos citados no mercado é o de um imóvel no interior da Bahia avaliado pelo banco em R$ 100 milhões, mas com valor real de R$ 1 milhão. A tentativa de venda do Master para o BRB, barrada pelo BC, teria sido uma forma de buscar cobrir essa situação.
Liquidações extrajudiciais são raras exatamente por envolver muitas perdas, cujo volume só será possível estimar com mais informações. Uma das preocupações é com sistemas de previdência complementar de Estados e municípios que eram geridos pelo Master. Um dos casos é a Rio Previdência, do Estado do Rio, com alertas sucessivos sobre o risco do Tribunal de Contas do Estado (TCE) em questão. Além de BC e PF, a investigação do Master passa ainda por Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para "seguir o caminho do dinheiro".
A investigação inclui a tentativa de venda para o BRB, banco público de Brasília, com impacto para o governo do Distrito Federal. Quem guardou distância da bola de neve do Master considera "corajosa" a decisão do BC, exatamente por estancar a emissão de títulos sem lastro ou baseados em ativos que valiam muito menos do que o declarado. E além da venda da parte do Master ao BRB que foi indeferida para o BC, há operações anteriores de venda de carteiras sob investigação.
Outros impactos da operação serão políticos, tanto pelo BRB quanto do Master, que tinha aliados capazes de pressão e até chantagem. O episódio mais recente e público foi um projeto no Congresso que permitia a demissão de diretores do BC. A essa altura, é bom lembrar as digitais da iniciativa: o deputado Claudio Cajado (PP-BA) apresentou um pedido de urgência na votação com apoio de líderes de MDB, PP, União Brasil, PL, PSB e Republicanos. Não passou. No dia seguinte, o BC barrou a venda.
Operação Compliance Zero
A operação da PF que busca cumprir sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão é chamada "Compliance Zero". A expressão vem do termo em inglês usado no universo empresarial, não só do setor financeiro, para designar o conjunto de práticas, políticas e procedimentos que garantem o cumprimento de leis, regulamentos, normas éticas e políticas internas. Ao sugerir que era "zero" no Master, o indicativo é de falta de observância de leis, regulamentos e normas éticas.
Esta nota está em atualização.




