
Um dos principais articuladores do governo Lula no Congresso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reconheceu nesta quarta-feira (26), que há um "estremecimento" entre Executivo e Legislativo. A declaração foi feita logo depois da cerimônia no Palácio do Planalto de sanção da isenção de Imposto da Renda para quem ganha até R$ 5 mil sem a presença dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Indagado se seria um sinal de rompimento, Haddad afirmou:
— No que me diz respeito, não.
É pragmática a tentativa de recuperar alguma interlocução depois da aprovação da pauta-bomba da aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias e do rompimento dos presidentes das duas casas com líderes do governo ou do PT. Haddad precisa aprovar o orçamento de 2026 até o final do ano e, antes disso, ainda precisa de apoio para recompor receita prevista nas contas do próximo ano.
— Às vezes, dá um estremecimento momentâneo por disputa, expectativa frustrada, o que é natural. Mas tenho confiança de que isso passa. Vamos terminar o ano com orçamento equilibrado, LDO aprovada, medidas aprovadas — afirmou, quase em um voto de boas festas.
Haddad disse considerar o projeto "meritório", mas lembrou que não há indicação de fonte de recursos para cobrir a despesa extra, conforme previsto em lei. Mas acenou com uma possível acomodação:
— Vamos encontrar uma fonte, vamos atrás de corte de despesa compatível e a coisa segue.
Insistiu, porém, que "todo mundo tem de dar sua contribuição para o equilíbrio das contas públicas".
— O Congresso foi parceiro para dar sustentabilidade a despesas contratadas antes desse governo. Fez um enorme esforço para isso. No momento em que a gente manda um orçamento com superávit primário e uma meta fiscal a ser honrada, desfazer tudo isso não me parece o caminho — afirmou o ministro em entrevista à Globonews.



