
As fraudes do banco Master já provocaram prejuízos a clientes que aceitaram o risco e devem representar perdas ainda aos que são precavidos usuários do Sistema Financeiro Nacional pelo custo imposto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas ainda antes da liquidação extrajudicial do banco, já havia provocado efeitos que ainda estão por ser revelados.
Em uma rara quebra de sua habitual discrição, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deu um spoiler. Afirmou que sua atuação no caso foi restrita ao cumprimento da obrigação da "autoridade fazendária", porque o papel regulatório é do Banco Central (BC).
— O presidente do BC tinha recebido uma herança difícil do ponto de vista regulatório, que envolvia tanto fintechs quanto o Master — disse Haddad em entrevista à Globonews.
Segundo o ministro, havia risco de "prejuízo fiscal" ao Tesouro, , já que um terço do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é formado por contribuições dos bancos públicos. Logo depois do primeiro anúncio de venda do Master, para o Banco de Brasília (BRB), o Conselho Monetário Nacional (CMN) mudou as regras do FGC com objetivo de desencorajar práticas agressivas de captação, caso dos CDBs que prometiam remuneração muito acima do mercado.
Haddad ainda deu contornos mais nítidos a um recente episódio nebuloso, o inesperado pedido de demissão do presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento. Antes da liquidação do Master, a entidade conhecida como "xerife do mercado financeiro" investigava as práticas do banco.
— O pedido de demissão do presidente da CVM ocorreu em ambiente muito tóxico, que gerou muita especulação e foi objeto até de uma conversa minha com o Procurador-Geral da República — relatou Haddad.
Mais, Haddad não revelou. Na época, a especulação era de que Nascimento teria enfrentado pressões de integrantes do Congresso Nacional e de agentes econômicos no caso do Master.





