Com o lançamento de seu maior empreendimento em valor geral de vendas (VGV), de R$ 750 milhões, com 13 torres e até 3 mil unidades residenciais para o programa Minha Casa, Minha Vida, a Melnick marca uma nova fase de sua história: vai virar grupo, com quatro divisões. O projeto é o Parque do Arvoredo, no bairro Passo d'Areia, que lança nesta segunda-feira (17) sua primeira fase: Open Bosque. A assinatura dá visibilidade a uma das empresas, que terá sede no mesmo local.
— Começamos como construtora e agora estamos nos tornando um grupo de quatro empresas que atuam no mercado imobiliário. O passo foi dado neste ano, e a jornada vai se consolidar em 2026 — detalha Leandro Melnick, CEO do novo grupo econômico do RS.
As quatro são a incorporadora (1), a Melnick Partners, que atua em parcerias dentro e fora do Estado (2), a Arcádia, para condomínios e loteamentos (3), e a Open, focada no segmento econômico, que ganha destaque com o megalançamento (4).
— Fomos cautelosos nesse processo, porque começamos com médio e alto padrão. A Open surgiu como espécie de startup, agora passa a ser um braço para se tornar, em alguns anos, a maior operadora desse segmento no Estado – avisa o empresário.
A área do projeto é a da antiga Zivi Hércules, ao lado do "Zequinha", estádio do time de futebol São José. Estava no "banco de terrenos" da empresa, que precisou investir R$ 50 milhões na descontaminação do solo do local. A primeira entrega, adianta Leandro, será um parque linear (mais longo do que largo) de 22 mil metros quadrados – tamanho semelhante ao da Praça da Encol.
— Temos o hábito de pensar a cidade como um todo, e vamos transformar essa área, que estava um pouco degradada, em espaço para feiras, caminhadas, áreas para pets.
O Parque do Arvoredo marca uma aposta maior do agora Grupo Melnick no MCMV às vésperas de um ano eleitoral. No Brasil, não é incomum que uma eventual mudança do ocupante do Palácio do Planalto altere as prioridades, como ocorreu no governo anterior. Leandro vê risco baixo:
— Sempre existe esse receio porque o Brasil tem programas de governo, não de Estado. Mas ao longo de 20 anos, houve compreensão do déficit habitacional do país e do fato de que as famílias de menor renda precisam de um incentivo para adquirir imóveis. É assim no mundo inteiro. Virou um formato que dificulta um retrocesso, tem baixo risco de descontinuidade — pondera o empresário.
A Open vai atuar nas faixas 3 e 4 do MCMV, que preveem renda de até R$ 12 mil mensais. Na visão de Leandro, esse mercado é muito bem operado no Brasil inteiro, mas "não deslanchou" em Porto Alegre. Avalia que uma das razões é o fato de que é difícil encontrar terrenos bem localizados, grandes e planos, para as faixas 3 e 4 com custo que se enquadre no valor.
— O que existe hoje são empresas de menor porte ou focadas na faixa 2, como MRV ou Tenda. Faltam nas 3 e 4. Como temos muitos terrenos que seriam para projetos de classe média, que não têm mercado por causa do juro alto, com a expansão da faixa 3 e a criação da 4, mais o achatamento da classe média, o MCMV deixou de ser para moradia popular e virou um formato de financiamento, que está invadindo a classe média, no bom sentido. Vamos preencher essa lacuna de oferta com bons projetos — afirma o empresário.





