
A quantidade de compradores de CDBs superfaturados do banco Master levou o aplicativo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao topo do ranking de aplicativos mais baixados por brasileiros na terça-feira (19). Nas contas do próprio fundo, até 1,6 milhão de aplicadores terão direito a compensação de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Isso significa que o fundo terá de desembolsar R$ 41 bilhões de seu total de patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões são de recursos líquidos em caixa – todos dados oficiais do FGC. Por isso, o caso Master não é um evento, digamos, regular. Vai consumir 33,6% do volume de dinheiro disponível no instrumento que ajuda a garantir a confiança no sistema financeiro nacional. Esse terço gasto terá de ser recuperado, o que significa um custo a mais no sistema.
Os bancos vão depositar, mas não precisa muito exercício mental para saber para onde vai a conta final: os consumidores de produtos financeiros mais cautelosos vão pagar pela aventura de Daniel Vorcaro como banqueiro. E de seus clientes que apostaram em seus CDBs que pagavam muito acima da média de mercado, mesmo os que foram alertados sobre os riscos envolvidos.
Se é verdade que boa parte dos clientes não tinha a mínima ideia de como o banco pretendia pagar um rendimento tão acima da média, outros tinham consciência de que isso não se sustentaria no tempo. Logo depois do anúncio da venda do Master, o Conselho Monetário Nacional (CMN) ajustou as regras do FGC. A mudança deveria valer a partir de 1º de junho de 2026. Com o tranco da movimentação bilionária, podem ser antecipadas.
O principal objetivo das mudanças é desencorajar práticas agressivas na captação de recursos, caso da promessa de retorno mais alto do que a média do mercado. Na prática, instituições com alta alavancagem – empréstimos acima de 10 vezes o valor de seu patrimônio líquido ajustado – terão de aumentar sua contribuição para o FGC. Hoje, os bancos pagam 0,01% ao mês do total dos depósitos que podem ser protegidos pelo fundo. Quem quiser ter perfil mais arriscado teriam taxa duplicada, chamada de "contribuição adicional".
Operação Compliance Zero
A operação da PF que envolveu sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão é chamada "Compliance Zero". A expressão vem do termo em inglês usado no universo empresarial, não só no setor financeiro, para designar o conjunto de práticas que garantem o cumprimento de leis, regulamentos, normas éticas e políticas internas.



