
Mais uma vez, as atenções sobre a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) se concentravam no comunicado, porque não havia qualquer expectativa de mexida no juro básico. Pela manhã, o mercado se vacinava sobre a possibilidade de o Banco Central (BC), mais uma vez, brincarem de esfinge e publicarem um texto sem qualquer abertura para futuros cortes da Selic.
À tarde, a bolsa de valores no Brasil acelerou a alta, saltou três patamares em um só dia, enquanto o dólar recuou. Embora as bolsas de Nova York tenham fechado no positivo, as altas ficaram ao redor de 0,5%, enquanto o Ibovespa subiu 1,8%, o que foi atribuído à expectativa de sinalização para o início do esperado ciclo de baixa.
No entanto, o Copom não entregou esse sinal, mantendo a informação de "manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado". A expectativa era de que o "bastante" ficasse pelo caminho, mas isso não ocorreu. A leitura é de que o primeiro corte possa não ocorrer na reunião de janeiro.
Nem outro trecho presente nos comunicados anteriores e entre os mais duros foi deixado de lado, e o BC avisou, outra vez, que "não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado". Não mudou sequer a citação da inflação projetada para o "horizonte relevante" para o Copom, que é o primeiro trimestre de 2027, de 3,4%. Ou seja, nenhum dos sinais, mesmo tênue, foi entregue.


