
As ações da Braskem, dona da maior parte do polo petroquímico de Triunfo, dispararam até 4,5% nesta quarta-feira (19) sob especulação de que um novo controlador já estaria definindo a nova diretoria da companhia. Na semana passada, ao comentar os resultados do terceiro trimestre, o atual CEO, Roberto Ramos, havia afirmado que os estudos para solucionar o endividamento ainda era "preliminares". Ramos também definiu o polo gaúcho como "o mais competitivo da América Latina".
No mesmo dia 11, circulou a informação de que a venda para a gestora IG4 Capital seria confirmada em breve. Na data, as ações da petroquímica subiram perto de 11%. A IG4 tem origem britânica e se apresenta como "especializada em investir em situações especiais e anomalias de mercado" (veja detalhes abaixo).
Depois do fechamento do mercado, a companhia havia publicado fato relevante no qual a Novonor (ex-Odebrecht) afirmava que "até o presente momento, não houve qualquer evolução material ou vinculante nas discussões que vem mantendo com as partes interessadas envolvendo sua participação indireta na Braskem".
Nesta quarta-feira (19) pré-feriadão em que as ações voltam a subir com intensidade, nem Braskem nem Novonor voltaram a se manifestar.
O que é a IG4
Criada em 2016, apresenta-se como "é uma das maiores gestoras de ativos independentes focada em situações especiais em mercados emergentes". Já administrou cerca de US$ 1,2 bilhão para investidores institucionais, escritórios multifamiliares e bancos.
Tem escritórios em Londres e Jersey (Reino Unido), Washington (EUA), Madri (Espanha), Santiago (Chile), Lima (Peru), Bogotá (Colômbia) e São Paulo. Uma de suas especialidades é chamada de "martek dislocations", ou seja, situações em que o preço do ativo está muito distante do considerado justo por condições anormais de mercado, como choques econômicos, pânico ou crises de liquidez.
O imbróglio da Braskem
A Braskem está à venda desde 2018. A companhia é controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), que entrou em crise depois da operação Lava-Jato. A empresa privada tem 38,3% do capital total da Braskem e 50,1% das ações ordinárias, enquanto a Petrobras tem 36,1% do capital social e 47% das ordinárias.
O primeiro ensaio, em 2019, foi uma tentativa de evitar a recuperação judicial da então Odebrecht, mas fracassou, por falta de transparência na avaliação dos passivos por danos na mineração de sal-gema em Maceió (AL). Não por acaso, o pedido de RJ veio 15 dias depois.
Ainda houve tentativas de venda à estatal de petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, e ao fundo Petroquímica Verde, do polêmico empresário Nelson Tanure, que também não avançaram. Uma outra anterior era entre os os bancos credores da Novonor para executar a dívida com garantia nas ações da Braskem e passar a gerir a empresa a partir do fundo Geribá, que já foi controlador da Polo Films, uma das raras empresas do polo que não pertence à Braskem.
*Colaborou João Pedro Cecchini




