
Nesta segunda-feira (3) que antecede o início da penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a inflação deu uma piscada para a certeza de corte no juro básico só em 2026. No Relatório Focus, a estimativa para o IPCA deste ano encolheu mais um pouco e está a 0,05 ponto percentual de se acomodar dentro da margem de tolerância da meta. A maioria entre a cerca de uma centena de economistas consultados projeta que a inflação feche o ano em 4,55%, na sexta semana seguida de redução.
Então, se nada muito fora de cenário ocorrer, é possível que o ano termine com juro de 15% e inflação dentro da meta. Não é uma combinação óbvia, menos ainda em um país marcado por alta inadimplência das pessoas e inquietação com as dívidas de empresas. Desde que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que o momento é de "trincar os dentes" e segurar a taxa mesmo ante sinais de alívio para esperar o juro na estratosfera completar seu papel, há certo consenso no mercado de que um corte no juro só vai ocorrer em janeiro de 2026.
Sem mudança forte no cenário, é possível que a inflação fique dentro da margem de tolerância – 1,5 ponto percentual acima ou abaixo da meta de 3% – ainda neste mês. Dezembro é sempre um mês que embute risco cambial: é quando as multinacionais que operam no Brasil enviam lucros para suas matrizes no Exterior. Isso provoca aumento na procura por dólar e pode pressionar o câmbio se a situação não estiver muito tranquila, como ocorreu no final de 2024 assombrado pelo fracasso do pacote de corte de gastos.
A combinação entre IPCA migrando para dentro da meta, ainda que no topo, e a taxa básica nas alturas faz com que o juro real (Selic com inflação descontada) seja um dos maiores da história do Brasil: está ao redor de 9,51% ao ano. É o segundo maior do mundo, atrás apenas da Turquia. E tende a crescer se os preços de fato seguirem se acomodando.
Os fatores que mais contribuem para essa situação inusitada são o problema fiscal do Brasil, com dívida pública crescente, e o centro da meta apertado, de 3% ano ano, apenas um ponto percentual abaixo da definida para os Estados Unidos.





