
Como é possível uma empresa já nascer com 4 milhões de clientes? É o caso da Nio, que, após comprar a carteira de clientes da Oi Fibra por cerca de R$ 5,7 bilhões, começa dar seus primeiros passos no mercado de internet fibra ótica para residências e pequenas e médias empresas. A empresa tem como principal acionista fundos geridos pelo banco BTG Pactual, mesmo grupo que controla a V.tal, que oferece infraestrutura para operadoras de telecomunicações.
O diretor de comunicação e marca da Nio, Bruno Chamas, esteve em Porto Alegre nesta semana. Nesta entrevista à coluna, relata o desafio de tornar a empresa conhecida, ao mesmo tempo em que busca abocanhar novas fatias de mercado. O executivo define o plano como de "crescimento orgânico", que tem objetivos específicos para o Rio Grande do Sul.
Como vocês chegaram à Oi Fibra?
A nossa aquisição é sobre a base de clientes da Oi Fibra, não adquirimos a empresa. Existe a Oi S/A, separada. No Brasil, são quase 4 milhões de clientes. A Nio surge como uma empresa nova, completamente do zero, mas com uma característica diferente. A gente se coloca como uma startup em prol do cliente, de usar tecnologia e dados para evoluir.
Quanto representa a operação no RS?
Temos 400 mil clientes, já nascemos líderes em fibra no Estado. Em Porto Alegre, são cerca de 80 mil clientes, ocupamos a segunda posição. É uma prioridade muito grande para gente. Em 13 Estados e no Distrito Federal, somos líderes. O primeiro grande desafio é sermos conhecidos pela nossa base de clientes. E refizemos todos os planos que a Oi tinha, de cerca de 10 para três.
Como equilibrar expansão e consolidação da operação?
O primeiro passo, desde março, é comunicar com os nossos clientes. Só em junho começamos a buscar novos. As duas questões caminham junto, mas a prioridade é que nosso cliente saiba sobre nós e o que fazemos. Temos um diferencial econômico tanto para clientes que migrarem para planos novos quanto para os que estão entrando: temos planos com preços que não aumentam até janeiro de 2028.
Quais os planos para crescer no RS?
É um dos principais Estados para nós. O Rio de Janeiro é o principal, com cerca de 700 mil clientes. A Nio não é dona da infraestrutura, aluga. Isso permite que a gente foque em marca, produto e atendimento ao cliente. Alugamos a rede da V.tal e temos, tanto em Porto Alegre quanto no Estado, mais de 1 milhão de possibilidades para crescer.
Como assim?
São conexões livres. Temos acesso, assim como qualquer outro cliente da V.tal tem, a um mapa que mostra onde há oportunidades para crescer. Porto Alegre é o principal local de ataque.
Adquirir outras operações no Estado é uma forma de expandir?
Hoje, estamos preparados para crescimento orgânico. Sobre possibilidade de aquisição, sempre está em pauta, mas nada concreto agora.
A Nio pretende ter lojas?
A nossa ideia é não ter loja, até porque temos um único serviço, que é fibra. Pretendemos alavancar o canal digital, com experiência simples. No nosso setor, o simples também é inovar. Temos tecnologia que faz a ida do técnico ser a mínima necessária. Por exemplo, os nossos modems mais novos conseguem reiniciar sozinhos. Mas uma venda por site ou aplicativo necessita alguém ir lá instalar, isso não vai mudar.
Telefonia móvel está nos planos?
Queremos ser uma empresa de tecnologia. Fibra é um dos produtos. Podemos entrar em móvel também, sem dúvida. Temos, sim, o desejo, mas ainda está em estudo.
Há pretensão de brigar com os grandes?
Queremos mudar o que as pessoas percebem sobre telecomunicações e fibra no Brasil, colocando o cliente no centro. Temos planos de longo prazo, para no futuro poder falar em liderança nacional. Não é uma aventura momentânea.
Na semana passada, houve a publicação de uma decisão da Justiça que concede antecipação parcial da falência e afasta a diretoria da Oi, e determina a indisponibilidade das ações da Nio. Afeta vocês?
Para Nio, não afeta em nada. É um tema muito da parte societária. A Oi tem um percentual do nosso negócio, acordado durante a compra com os fundos do BTG. Tem mais dois fundos que são nossos acionistas também, um fundo privado canadense e um fundo de Singapura. O BTG é controlador.
*Colaborou João Pedro Cecchini




