
Com o dólar há semanas no patamar de 1,5 mil pesos – desvalorização de 50% em relação às vésperas da eleição presidencial, quando havia atingido mil pesos pela primeira vez na história. Na época, um dos motores da decolagem foi uma declaração do atual presidente e então candidato, Javier Milei, de que a moeda nacional era "excremento".
Agora, conta com a ajuda dos Estados Unidos, seja com um swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões ou com compras de pesos feitas no mercado diário pelo Tesouro americano para evitar disparada ainda maior às vésperas de uma eleição parlamentar que vai definir o futuro da Argentina.
É um tipo de votação que não existe no Brasil. Como nos EUA, a Argentina renova metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado na metade do mandato presidencial. Com Milei em dificuldades para aprovar projetos no Congresso, já seria crucial. Mas foi precedida de uma derrota em disputa semelhante na província de Buenos Aires – a mais populosa, portanto com mais eleitores. Além disso, a vitória do atual governo foi imposta como condição para uma ajuda mais robusta de Trump.
Nos mercados e na imprensa argentina, há todo o tipo de especulação sobre o futuro. A mais insistente é de uma desvalorização ainda maior – que foi para a manchete do jornal britânico Financial Times. Mas também se especula sobre uma duvidosa dolarização, que precisaria ser muito heterodoxa em um país que não tem dólares.
O que parece certo é que a economia argentina é uma até domingo, e pode amanhecer a segunda-feira sob outra forma. Nesta sexta-feira (24), Milei tem uma reunião com o CEO do JP Morgan, um dos maiores bancos do mundo, também para discutir algum tipo de ajuda financeira.
No Financial Times
Na manchete do jornal britânico especializado em economia, "Investidores apostam que a Argentina vai desvalorizar apesar de resgate de US$ 40 bilhões dos EUA".





