
As exportações gaúchas para os Estados Unidos caíram a menos da metade em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, mas o Estado é "apenas" o 11º mais afetado pelo tarifaço de Donald Trump. O levantamento é do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre). O Acre, por exemplo, perdeu 99,9% de suas vendas aos americanos.
A pesquisa considera impactos regionais da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros em setembro, segundo mês de vigência da sobretaxa (leia a íntegra aqui). Dos cinco Estados mais afetados no Brasil, dois estão no Nordeste (Alagoas e Piauí).
Na faixa intermediária, com redução entre 40% e 60% nas exportações para os EUA em setembro em relação ao mesmo período do ano passado, aparecem Mato Grosso do Sul (-57,8%), Paraná (-56,3%), Santa Catarina (-54,9%) e Rio Grande do Sul (-51,5%) (veja tabela abaixo).
Considerando os valores, o Rio Grande do Sul é o terceiro com maior perda em setembro (-US$ 88,8 milhões), só atrás de Minas Gerais (-US$ 236 milhões) e Santa Catarina (-US$ 95,9 milhões).
Os pesquisadores do FGV Ibre avaliam que há sinais de "pressões estruturais" nos três Estados do Sul e em Minas Gerais, resultado de espiral negativa de "tarifa, disputa de preços e troca de fornecedores pelos compradores nos EUA". As perdas também se concentram nessas quatro regiões por serem "polos industriais", com base alta de exportações.
A queda percentual dos envios do Rio Grande do Sul para os EUA é maior nos produtos isentos de sobretaxa (-64,4%, ou US$ 17,2 milhões). Os não isentos caíram mais em valores (-US$ 71,6 milhões, ou -49,1%), sempre comparando os dados de setembro deste ano com o mesmo período do ano passado.
*Colaborou João Pedro Cecchini




