
Alvo de intensa batalha entre setores desenvolvimentistas e ambientalistas do governo, a primeira perfuração na área da Foz do Amazonas foi autorizada em um momento delicado, às vésperas da COP30. O principal objetivo do encontro em Belém, é tentar frear a mudança do clima, que tem como uma das principais causas a emissão de gases de efeito estufa causada pela queima de combustíveis fósseis.
Do outro lado das pressões, técnicos do governo apontam risco do "fim do pré-sal". Isso não significa uma exaustão total das resrvas, mas há projeções de que a produção que hoje responde por cerca de 80% do total extraído no Brasil entrará em declínio entre 2029 e 2030. Os mais preocupados estimam que, com essa redução, o Brasil poderia voltar a ser importador líquido de petróleo (comprar mais do que vender) entre 2034 e 2035.
Entre as duas pressões, o governo Lula deixa claro que a segunda pesa mais. Autorizar uma perfuração exploratória, é bom explicar, não significa começar a produzir. É uma tentativa de checar se de fato existe um reserva significativa no local. A Foz do Amazonas é uma das áreas da bacia conhecida como Margem Equatorial, que já superou a Bacia de Pelotas no interesse de investidores. Não está descartado o risco de, uma fez feito o furo, dar em nada, embora isso seja pouco provável.
A baixa probabilidade tem origem no interesse na Margem Equatorial, que começou com descobertas feitas na Guiana. O pequeno país encontrou óleo leve, o que despertou a cobiça até da Venezuela, que tem as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, só que do tipo pesado. Qual a diferença? Custa mais caro transformar o pesado em gasolina e diesel.
Agora, como o Brasil vai cobrar dos países que vêm à COP30 compromissos para reduzir suas emissões sinalizando que não vai cortar as suas tão cedo será um discurso que precisará ser muito bem lapidado.
O que é a Margem Equatorial
A Margem Equatorial começou a ser explorada há quase uma década pela Guiana. Somente nesse período, as descobertas levaram as reservas provadas do país para 11 bilhões de barris, enquanto o Brasil tem 14,8 bilhões com atividades de exploração há décadas. Ou seja, desde 2015, o país vizinho conquistou 75% do total brasileiro. No Suriname, a primeira descoberta foi feita em 2020, e já foi constatado potencial de extração de 4 bilhões de barris.
Esse é um dos motivos pelos quais a Petrobras insiste tanto em perfurar poços na região, para comprovar a extensão e o potencial das jazidas da Margem Equatorial. No Brasil, a região inclui cinco bacias: Foz do Amazonas, entre Amapá e Pará, Pará-Maranhão, Barreirinhas (Maranhão), Ceará (inclui áreas do Piauí) e Potiguar, onde ficam os poços de Pitu e Anhangá.
As reservas são classificadas em "provadas" (certas), "prováveis" (com fortes indicativos) e "possíveis" (com indícios). Os únicos países alcançados pela formação que ainda não haviam perfurado na região eram o Brasil e a Guiana Francesa. Agora, só falta um.
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