
Agora há sinais de que os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, podem mesmo se encontrar durante a reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), nesta semana em Kuala Lumpur (Malásia). Ainda é apenas expectativa, mas, depois dos últimos dias, há uma certeza: terras raras farão parte da conversa, onde e quando ocorrer.
Esses minerais são ponto de discórdia entre EUA e China que domina o humor dos mercados desde a semana passada, quando os chineses avisaram que passariam a controlar a exportação desses produtos. O país asiático processa mais da metade de desses materiais, e o Brasil tem de 15% a 20% das reservas. Terras raras (detalhes no final deste texto) são cruciais não só para produtos de tecnologia, mas para a indústria de defesa, o que ajuda a explicar a obsessão americana.
Uma possível fórmula envolveria abertura para investimentos americanos em mineração no Brasil, em troca da entrega de uma cota fixa da produção em território nacional. Em tese, seria uma boa parceria, o problema é... o atual parceiro. O governo Trump vem sendo marcado por vaivéns, com discursos de paz entremeados por ameaças de guerra. Certo é que o Brasil não consegue fazer sozinho a exploração dessa riqueza.
Não foi por acaso que Lula fez questão de implantar o Conselho Nacional de Política Mineral no mesmo dia da conversa por telefone, com Trump. Na primeira entrevista dada depois que o "colega" reatou informalmente as relações bilaterais ainda em setembro, Lula fez questão de avisar:
— Tenho lido muito sobre terras raras e minerais críticos, estou estudando para ninguém me enganar. O Brasil não quer ser isolado do mundo, não. Eu disse ao Trump que não tem limite na nossa conversa, vamos colocar na mesa tudo o que acha que precisa conversar. No caso do Brasil, a gente tem que ganhar, tem que ser um acordo de ganha-ganha.
No dia do lançamento do conselho, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou que teria reunião com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, um dos responsáveis pelo desenvolvimento de óleo e gás de xisto que levaram o país ao primeiro lugar em produção de combustíveis fósseis no mundo, para trazer capital americano à exploração no Brasil:
— Vamos aproveitar essa oportunidade para discutir política de investimento em datacenter no Brasil (...), convergências entre o que temos de minerais, e o capital americano para explorar os minerais — disse Silveira.
Se os EUA ainda fossem a inabalável maior democracia do planeta e fiador da paz no planeta – política e economicamente –, seria uma parceria quase óbvia. Com um líder tão imprevisível, a associação herdaria a imprevisibilidade do líder.
Alguns minerais críticos
- Cobalto
- Cobre
- Grafite
- Lítio
- Níquel
- Nióbio
- Titânio
Todas as terras raras
- São 17 elementos químicos que existem na natureza em pequenas concentrações e em minerais complexos, o que exige alta tecnologia para extrair e processar. Um dos menos desconhecidos é o neodímio, com propriedades magnéticas, usado na produção de superímãs em motores de carros elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos.
- Os 17 raros: cério, érbio, európio, escândio, disprósio, gadolínio, hólmio, itérbio, ítrio, lantânio, lutécio, neodímio, praseodímio, promécio, samário, térbio e túlio.





