
Depois da oficialização de um swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões dos Estados Unidos, a Argentina informou que, em setembro, a China se tornou seu maior parceiro comercial. No mês passado, as exportações argentinas para a China cresceram 201,7%, para US$ 1,29 bilhão, enquanto as vendas ao Brasil caíram 11,1%, para US$ 1,17 bilhão.
Consideradas as importações, o comércio total entre China e Argentina movimentou US$ 3,1 bilhões, acima dos US$ 2,89 bilhões das trocas com o Brasil. É a primeira vez desde novembro de 2022 que os chineses dominam o comércio com o país do tango.
Um dos motivos foi a atual crise cambial do país vizinho, que obrigou o governo Milei a zerar a cobrança de impostos sobre exportações agrícolas – as chamadas retenciones. Para aproveitar o período de isenção, os produtores aceleraram as vendas de soja, especialmente para a China.
Uma das justificativas dadas por Donald Trump para dar ajuda excepcional à Argentina era a perspectiva de que o país latino-americano se afastasse do gigante asiático. O socorro aplicado agora só tem precedente em 1995, no governo Clinton, e foi com o México, que tem economia conectada à americana. Curiosidade: o valor nominal é o mesmo, US$ 20 bilhões. Atualizado pela inflação americana, o pacote mexicano valeria hoje cerca de US$ 42 bilhões.
Depois de Trump ter anunciado até compra de carne da Argentina para ajudar Milei, a secretária da Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, esclareceu que a aquisição será "limitada". Conforme Rollins, qualquer abertura de mercado precisa passar pela garantia de segurança sanitária, citando risco de febre aftosa. Claro que a declaração provocou reação indignada de pecuaristas argentinos.
Nesta quarta-feira (22), a apenas três dias da eleição parlamentar que pode definir o futuro do governo Milei, o dólar oficial está cotado a 1.515 pesos. O fato de estar muito perto do teto da banda cambial acordada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem exigido intervenções diárias do Banco Central (BC).




