
O mercado se tranquiliza nesta segunda-feira (13), depois de uma sexta-feira (10) estressada. O dólar cai 0,5%, a R$ 5,476, enquanto a bolsa tem alta de 0,9%. Mas ganhou corpo a uma questão que pairava um tanto etérea sobre a economia brasileira: será possível manter o juro alto até janeiro de 2026 sob risco de explosão na dívida das empresas?
Na sexta-feira (10), o dólar havia voltado ao patamar de R$ 5,50, entre outros motivos por intensa saída de investidores externos que teria sido motivada por venda maciça de títulos da dívida da Raízen, associação entre o grupo brasileiro Cosan e a petroleira anglo-holandesa Shell. Ainda na noite de sexta, a empresa publicou nota afirmando que "não está considerando qualquer forma de reestruturação de dívida ou pedido de recuperação judicial ou extrajudicial" (veja a íntegra no final deste texto).
Um abalo está afastado ao menos temporiamente, mas outros já provocam efeitos negativos. Tanto a reestruturação da dívida da Braskem quanto a crise da Ambipar provocaram perdas de até 93% para investidores que haviam sido convencidos a aplicar em Certificados de Operações Estruturadas (COEs) com base em títulos de dívida dessas empresas. Operações baseadas em dívida privada costumam ser oferecidas como opções de renda fixa, sem esclarecimento sobre o risco que embutem.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, havia afirmado que era hora de "trincar os dentes" ao responder a uma pergunta do ex-presidente da instituição Armínio Fraga, sobre a hipótese de "alongar um pouco o horizonte de convergência da inflação" à meta. Isso permitiria aliviar o juro antes do previsto, adotando uma estratégia que Armínio chamou de "dosimetria", dizendo que usaria uma palavra "da moda".
Ao usar a metáfora dos dentes trincados, Galípolo reforçou que a política monetária está na fase mais importante, a de seguir com determinação no aperto monetário em um dos momentos mais difíceis na luta contra a inflação. O problema está em trincar os dentes com tanta força a ponto de criar o risco de quebra de empresas. Não é um cenário para amanhã, mas os casos vêm se acumulando.
A íntegra da nota da Raízen
A Raízen S.A., em atendimento à Resolução CVM nº 44, de 23 de agosto de 2021, e tendo em vista a matéria publicada hoje pelo jornal Valor Econômico sobre a sua estrutura de capital e títulos de dívida (“Investidor vende bonds da Raízen por risco de perda de grau de investimento, dizem fontes”), esclarece que não está considerando qualquer forma de reestruturação de dívida ou pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. A Raízen mantém posição robusta de caixa, com R$ 15,7 bilhões em disponibilidades ao final do 1T 2025’26, e R$ 5,5 bilhões (US$ 1,0 bilhão) em linhas comprometidas de crédito rotativo (RCF) disponíveis, e segue executando sua estratégia de gestão financeira voltada à otimização do perfil de endividamento e da estrutura de capital. A Companhia foi informada por seus acionistas controladores de que seguem em curso discussões e avaliações sobre alternativas de capitalização da Raízen, com o objetivo de fortalecer sua estrutura de capital e apoiar sua estratégia de longo prazo. A Raízen reafirma a solidez de suas operações, o apoio de seus acionistas e parceiros e seu compromisso com a transparência e a divulgação tempestiva de informações relevantes ao mercado.


