
O alívio temporário provocado pelo mero apoio verbal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao colega da Argentina, Javier Milei, teve curta duração. Dólar e risco país voltaram a subir ainda na segunda-feira (29). Nesta semana, o mercado financeiro do país aumentou a demanda por cobertura cambial (hedge), forçando o governo a retomar restrições para compra de divisas.
A questão crítica, agora, é se a equipe econômica poderá manter o sistema de bandas até o dia 26, data das eleições parlamentares do país. Trump condicionou a ajuda de US$ 20 bilhões à vitória das forças de Milei nas urnas. Como não há sinal de qualquer antecipação de recursos, agora os dois governos tratam de produzir mais palavras para tentar tranquilizar o mercado.
Nesta quinta-feira (2), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, fez nova publicação em redes sociais relatando que teve uma ligação "muito positiva com ministro Luis Caputo (titular da Economia)". Também reforçou a expectativa de receber uma equipe argentina "nos próximos dias" para "avançar significativamente em nossas discussões presenciais sobre as opções de apoio financeiro".
Os dias de suspense sobre o futuro político e econômico da Argentina combinam constantes atualizações da promessa de apoio a medidas inesperadas do governo Milei para assegurar a vitória eleitoral. Consultorias citadas pelo jornal Clarín avaliam que, para ter sucesso, desta vez o presidente terá de adotar postura "antiMilei".
E essa fase já começou: na terça-feira (30), o governo ultraliberal (ou anarcocapitalista, como se autodefinia até chegar à presidência) anunciou descontos nos supermercados para aposentados e pensionistas. As regras preveem 10% para compras gerais e até 20% em produtos de higiene e limpeza.
O aceno para esse grande grupo de eleitores ocorre depois de Milei ter vetado leis que corrigiam benefícios para esse público e da publicação de dados oficiais que mostram queda forte nas venda no varejo, resultado do forte ajuste fiscal promovido pelo presidente. A motosserra de Milei está aposentada, ao menos até o dia 26.


