
Dos cinco processos de licenciamento ambiental para explorar petróleo na Bacia de Pelotas em tramitação, quatro avançaram após parecer favorável do Ibama. Como as autorizações são para pesquisa sísmica 3D, ainda não haverá perfuração, só estudo sofisticado do solo (saiba detalhes abaixo).
A empresa TGS, que tem principais escritórios na Noruega e nos Estados Unidos, é responsável por duas licenças. A francesa Viridien vai operar as outras duas. Os planos de atividade ainda estão sendo definidos, segundo o Ibama.
Pelo cronograma inicial, todos os estudos devem ocorrer a uma distância de ao menos 96 quilômetros da costa, em profundidades que variam de 200 a 4 mil metros. Duas das quatro licenças com parecer favorável — uma da TGS e outra da Viridien — autorizam operação na parte sul da Bacia de Pelotas, em território gaúcho. A Bacia de Pelotas se estende do litoral sul catarinense até perto de Cabo Polônio, no Uruguai.
A liberação de pesquisa sísmica ocorre no momento em que se discute a permissão para perfuração para Petrobras buscar petróleo na Foz do Amazonas. A autorização emitida para estatal é de etapa mais avançada do que a pesquisa sísmica. A Foz do Amazonas faz parte da Margem Equatorial, considerada a nova fronteira do petróleo brasileiro. A exploração é criticada por ambientalistas, por risco de acidentes.
As primeiras empresas a obterem licença para pesquisa sísmica 3D na Bacia de Pelotas foram Shearwater e Searcher Seismic, que haviam informado, em junho do ano passado, ter iniciado a atividade. Após uma pausa, vão retomar na segunda quinzena de novembro — ou seja, dentro pouco mais de 15 dias.
O Ibama afirma que ainda há outro processo de licenciamento ambiental em avaliação na Bacia de Pelotas, para a empresa SLB WesternGeco. Por necessidade de "aprofundamento por parte da equipe técnica", a concessão segue em análise. A licença, segundo o cronograma inicial, seria para pesquisa sísmica 3D em área no litoral do Rio Grande do Sul.
O que é pesquisa sísmica 3D
A sísmica 3D é um exame do subsolo marinho que costuma ser comparada a uma ultrassonografia. Emite ondas de som que "batem" no fundo do mar e "ecoam" de forma diferente conforme a formação geológica. Permite identificar potenciais acumulações de petróleo para entender quais os locais mais adequados para a perfuração.
*Colaborou João Pedro Cecchini






