
Há uma reunião prevista para domingo entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Kuala Lumpur (Malásia), durante a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Mas as vésperas do encontro presencial acumularam-se novas ameaças à "química excelente". Essa bilateral não está na agenda oficial da Casa Branca, embora não seja formalmente descartada.
Do lado de Trump, a sanção contra a Rússia abriu novo front de conflito exposto. A resposta foi verbal – ao menos até agora –, mas violenta, o que provocou disparada no preço do petróleo. E se já se sabia que os EUA haviam autorizado operações da CIA na Venezuela, a tensão não era tão alta quanto a criada pela declaração do presidente americano sobre "operações terrestres contra o narcotráfico". Na noite de quinta-feira (22), sem citar a Venezuela, afirmou:
— Não acho que vamos necessariamente pedir uma declaração de guerra. Acho que vamos apenas matar as pessoas que estão trazendo drogas para o nosso país. Ok? Vamos matá-las.
Nesta sexta-feira (24), Lula reagiu:
— Você não fala que vai matar as pessoas. Tem que prender, julgar e punir de acordo com a lei. É o mínimo que se espera de um chefe de Estado.
Lula deu sua contribuição para tensionar o encontro ao repetir, na Indonésia, sua pregação pelo comércio bilateral baseado em moedas locais, sem depender do dólar – sobre o qual Trump já reclamou publicamente. Pode querer se cacifar para a reunião, imitando o presidente dos EUA? Se fosse uma declaração isolada, até poderia, mas essa proposta o acompanha desde mandatos anteriores.
É verdade que, também nesta sexta-feira (24), Lula reafirmou ter "todo o interesse" no encontro com Trump. E abriu o cardápio da ainda conversa:
— Podemos discutir qualquer coisa... De Gaza à Ucrânia, Rússia, Venezuela, minerais críticos, terras raras.
Para complicar, a prioridade de Trump na Malásia é outra bilateral: a com Xi Jinping, presidente da China, que já exporta terras raras "prontas" para os EUA e ameaçou frear essa venda., o que fez o ocupante da Casa Branca ameaçar com tarifa de 155%. Embora só esteja previsto para o dia 30, é um encontro que demanda toda a atenção dos times dos dois lados.
Não são as melhores condições para uma reunião produtiva. Se não se esperava muitos resultados do telefonema entre os dois, agora é legítimo presumir algum anúncio depois do encontro de domingo. Uma regra da diplomacia é prever um comunicado minimamente atrativo depois de uma bilateral presidencial. É verdade que Trump não a segue à risca, mas a expectativa havia crescido.




