
Era uma ajuda condicionada à vitória do governo Milei nas eleições parlamentares do próximo domingo, mas não deu para esperar. Como o mercado seguia pressionando o dólar mesmo depois da possibilidade de duplicar a ajuda, nesta segunda-feira (20) foi anunciado acordo para um swap cambial (troca de moedas) entre o Departamento do Tesouro (equivalente no Brasil ao Ministério da Fazenda) dos Estados Unidos e o Banco Central da República Argentina.
O comunicado foi feito antes da abertura do mercado, e ainda não há muitos detalhes, a não ser a confirmação do valor e do formato da ajuda americana. Conforme o BCRA, o objetivo é "contribuir para a estabilidade macroeconômica do país, com foco na preservação da estabilidade de preços e na promoção de crescimento econômico sustentável".
Na quarta-feira passada (15), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciara que, além do swap, poderia haver empréstimo de US$ 20 bilhões. Na Argentina, vinha se firmando o consenso de que só a troca de moedas, sem dinheiro "novo", não asseguraria a sobrevivência do sistema de bandas cambiais adotado em negociação do atual governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Com a alta de inflação nos EUA, em boa parte resultado do tarifaço, como se previa, o presidente Donald Trump ainda mencionou a hipótese de passar a comprar carne argentina.
— Se fizermos isso, nossos preços de carne bovina vão baixar — alegou Trump na volta de Mar-a-Lago, sua residência na Flórida.
Para lembrar, a ajuda tenta impedir que ocorra uma disparada do dólar quando o BCRA está quase sem reservas para seguir atuando frear a alta da cotação. Para tentar segurar a ajuda para só depois da eleição, o Tesouro dos EUA chegou a antecipar a compra de pesos no mercado, uma raríssima atuação, mas não foi suficiente para tranquilizar o mercado.
Apesar da ajuda americana, o desafio da vitória nas urnas das forças de Milei se mantém. Antes de ser extraditado aos EUA, o acusado de tráfico Fred Machado, que teria repassado ao menos US$ 200 mil ao que era o principal candidato do presidente, José Luis Espert – e renunciou depois que a conexão foi revelada –, voltou a falar sobre sua ligação com o poder e afirmou:
— Se falo, o país vem abaixo.



