
Parecia improvável antes do tarifaço aplicado por Donald Trump, mas o rearranjo do comércio internacional patrocinado pelo presidente dos Estados Unidos fez avançar o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia (UE). A Comissão Europeia, espécie de órgão executivo equivalente à chefia de governo, apresentou a proposta ao Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado do bloco (leia o comunicado em português aqui).
A estratégia será a que havia sido delineada na retomada do tema, em dezembro de 2024: separou apenas a parte comercial do acordo original, que era mais amplo. Dessa forma, não há necessidade de aprovação pelos cerca de 30 parlamentos nacionais e regionais dos Estados-membros da UE.
Com essa pequena manobra, será possível aprovar o acordo pela chamada "maioria qualificada", que significa ao menos 15 países que representem 65% da população e maioria simples no Parlamento Europeu. Não é tão fácil, mas contorna o principal obstáculo, a resistência declarada da França.
Embora tenha boa probabilidade de aprovação por essa espécie de "fast track" aberto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não se pode confiar que a tentativa será bem-sucedida. Agora, o nome do jogo é o seguinte: quantos aliados a França conseguirá para tentar evitar a formação da maioria qualificada. E quanto esforço o presidente francês, Emmanuel Macron, vai gastar para isso.
Até o tarifaço, Polônia e Irlanda eram apontados como os candidatos mais óbvios a engrossar a resistência francesa (com o perdão do trocadilho). Depois da bomba de alíquotas, tudo está sob revisão. A Comissão Europeia e sua presidente foram muito criticadas pelo acordo de alto custo para os europeus fechado com Trump.
Agora, precisam recuperar prestígio, e um acordo com o país que virou referência no enfrentamento ao presidente dos EUA pode ajudar a melhorar a imagem. E também nas vendas das indústrias europeias que podem perder mercado americano mesmo com tarifa de 15%, muito menor do que a do Brasil.


