
As exportações gaúchas à Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Estado, aumentaram 47,1% neste ano até agosto, em relação ao mesmo período do ano passado. A alta é puxada sobretudo por veículos e peças, que somaram US$ 354,8 milhões em exportações até agosto, crescimento de 90,3% na mesma base de comparação.
Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). São os oito primeiros meses de maior apetite por produtos do setor do RS desde 2018, quando as compras argentinas de veículos e peças chegaram a US$ 519,7 milhões até agosto.
Há explicações de caráter econômico já conhecidas: o câmbio por lá está em situação mais favorável em relação ao Brasil, mesmo que a recente alta tenha feito o presidente Javier Milei a contrariar sua cartilha ultraliberal e a intervir no mercado. Quando o peso argentino ganha força contra o real, os produtos brasileiros ficam mais acessíveis para os vizinhos.
Mas por que especificamente veículos e peças foram mais exportados? O caso de uma gigante gaúcha pode ajudar a explicar: as Marcopolo, que tem sede em Caxias do Sul, enviou à Argentina cerca de 390 veículos rodoviários até agosto, número quatro vezes maior do que o embarcado no mesmo período do ano anterior.
Segundo o diretor de operações internacionais e comerciais de mercado externo da Marcopolo, José Luiz Moraes Goes, boa parte das encomendas vem do setor de turismo. Os gaúchos sabem que o fluxo de turistas argentinos nas praias do Estado aumentou neste ano, o que pode ter ajudado nas compras de ônibus.
Como a Marcopolo tem fábrica na Argentina, os veículos podem ser enviados para lá montados ou não. Goes recorda que, no ano passado, a produção no país estava em baixa, tanto que houve redução pela metade do quadro de funcionários, de cerca de 800 para 400 trabalhadores.
— O mercado da Argentina sempre teve ciclos muito positivos e muito negativos. No ano passado, estávamos naquele mercado instável vendo perspectivas boas, e nós, como Marcopolo, bancamos continuar lá. Sempre acreditamos que a Argentina ia voltar a ser um baita mercado para a gente — afirma Goes.
O país ocupa o segundo posto entre os destino dos ônibus exportados de Caxias do Sul.
Veículos de passageiros
Outro dado que chama a atenção é que as exportações gaúchas de veículos automóveis de passageiros quadruplicaram até agosto, passando de US$ 22,1 milhões nos primeiros oito meses do ano passado para US$ 100,6 milhões. É o maior valor para o período desde 2019.
Em nível nacional, as exportações dos produtos somaram US$ 2,7 bilhões até agosto, resultando em alta de 144% em relação a igual período do ano passado.
*Colaborou João Pedro Cecchini






