
Em seu relatório sobre a situação fiscal brasileira, a Instituição Fiscal Independente (IFI), avalia que o Brasil não vive uma "crise aguda como a vivenciada recentemente pela Argentina", mas aponta "deterioração lenta e progressiva". Para sustentar o diagnóstico, aponta "engessamento sem precedentes" do orçamento, com déficits primários seguidos desde 2014 e crescimento rápido da relação entre a dívida pública e o PIB.
Os motivos ainda passam pela redução da capacidade investimentos em inovação tecnológica e infraestrutura e pelo que a entidade avalia como "perda de consistência do arcabouço fiscal como disciplinador das finanças públicas", já apontada em relatórios anteriores.
A IFI, cuja atuação é classificada como "xerife das contas públicas" — não no sentido punitivo, mas de vigilância – publica relatórios mensais.
Como a coluna não cansa de lembrar, regras fiscais existem com uma só finalidade: dar sustentabilidade ao endividamento público do Brasil. Quando a dívida sobe muito, credores exigem remuneração maior – leia-se juro – para bancá-la. Isso exige taxas altas por mais tempo, como o país vive atualmente. Na avaliação da IFI, "mudanças de metas e exclusão de despesas do limite de gastos comprometem o seu papel de sinalizador da solidez da política fiscal".
Como voltou a deixar claro na quarta-feira (17) o Comitê de Política Monetária, a frágil situação fiscal do Brasil é um dos fatores que impede a antecipação do corte do juro básico. Para a IFI, o orçamento de 2026 está baseado em projeções mais otimistas do que realistas. A entidade estima crescimento de 1,7% do do PIB, enquanto a expectativa do governo é de 2,4%. No Relatório Focus do Banco Central, a previsão dominante é de 1,8%.




