
Só as palavras de Donald Trump, em reunião bilateral com Javier Milei na terça-feira (23), haviam rendido bons resultados na nova crise do país vizinho. Ainda ajudaram os anúncios do Banco Mundial (US$ 4 bilhões) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com mais US$ 3,9 bilhões. Mas o que mais anima o mercado argentino, nesta quarta-feira (24), é a confirmação do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de negociações de swap cambial (troca de moeda) de US$ 20 bilhões.
— Atualmente, o Tesouro está em negociações com autoridades argentinas para uma linha de swap de US$ 20 bilhões. Estamos trabalhando em estreita coordenação com o governo argentino para evitar volatilidade excessiva — afirmou Bessent em rede social.
Mas como os argentinos já previam, mesmo com toda a simpatia de Trump com Milei — sinal importante para avaliar corretamente o aceno do presidente americano a Lula —, a ajuda é alvo de "negociações", como avisou Bessent. A principal exigência, conforme a imprensa argentina, é o cancelamento de acordo semelhante feito com a China ainda no governo anterior.
Outra condicionante, também previsível, é a vitória de Milei e seus aliados nas eleições parlamentares de outubro. A derrota do governo federal no pleito da província de Buenos Aires, no começo do mês, foi o gatilho para a atual crise. Nesse sentido, o apoio dos EUA é um importante trunfo para Milei reorganizar suas forças. É complexo, porque seu partido se isolou, mas não impossível.
— Imediatamente após a eleição, começaremos a trabalhar com o governo argentino em relação aos pagamentos principais de sua dívida — explicitou Bessent.
O secretário do Tesouro ainda acenou com investimentos, sempre relacionado ao resultado das eleições:
— Também fiz contato com diversas empresas americanas que pretendem fazer investimentos estrangeiros diretos substanciais na Argentina em diversos setores, caso haja um resultado eleitoral positivo.
O que é swap cambial?
Swap cambial é uma troca de moedas, como a tradução do inglês sugere. Funciona como uma espécie de empréstimo em dólares, porque prevê compromisso de a instituição financeira pública devolver o dinheiro no futuro, com juro. A Argentina já fez acordos desse tipo com a China, num valor total de US$ 18,5 bilhões. Os recursos americanos devem ajudar o país sul-americano a garantir o pagamento dos seus próximos compromissos internacionais, sobretudo de dívidas em dólares.






