
O jornalista Mathias Boni colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
Caito Maia, 56 anos, é hoje um dos empreendedores de maior sucesso no país. Fundador da Chilli Beans, o empresário também angariou grande popularidade nos últimos anos por ser jurado do programa Shark Tank Brasil. Nesta entrevista exclusiva à coluna, Caito lembra a história de sucesso da Chilli Beans, destaca a importância do conceito ESG no mercado atual e também avalia a recente polêmica gerada após declarações de que mudaria a moeda usada em negócios com a China.
Antes de ter a Chilli Beans, você fundou a Blue Velvet. Como avalia a importância das lições deixadas por essa experiência?
Ter a experiência da Blue Velvet antes da Chilli Beans foi um baita aprendizado. A Chilli já veio com outro olhar. Entendi que uma marca forte e relevante é o que faz a diferença. Se naquele momento lá atrás eu não tivesse tido dificuldades, não aprenderia essa lição na marra, e a Chilli Beans talvez nem existisse como a gente conhece hoje. Passar por obstáculos não é só inevitável no empreendedorismo, é fundamental para o crescimento da gente. É assim que nasce resiliência, criatividade e humildade para construir algo com propósito.
Olhando em retrospectiva, como você explica, hoje, o sucesso da Chilli Beans?
O caminho que fez a Chilli Beans decolar foi bem certeiro: diversidade, acessibilidade e criatividade. Misturamos música, moda, arte e estilo em um produto acessível e com design. Contamos histórias, lançamos coleções com frequência e trazemos marcas e personagens da cultura pop que o público ama.
A Chilli Beans também é conhecida pelas franquias no Brasil. Na sua visão, quais são as principais vantagens de se investir em um modelo de negócios como esse?
O modelo de franquia foi um acelerador do nosso crescimento. Ele nos permitiu escalar a marca para vários pontos do Brasil e ampliar rapidamente a nossa presença. O nosso país é um dos mais avançados do mundo no mercado de franquias, temos uma legislação forte, a ABF (Associação Brasileira de Franchising) é uma entidade sensacional e o brasileiro tem a veia empreendedora. É uma das formas seguras de entrar no empreendedorismo: você não está sozinho, tem apoio e um caminho já validado, diminuindo os riscos de empreender.
O mercado e o público têm exigido cada vez mais das companhias e produtos uma vinculação com propósitos ou causas que contribuam para um mundo melhor, o que pode ser exemplificado através do conceito ESG. Como você avalia a importância da conexão de empresas e marcas com essas ideias?
Hoje, o mundo não aceita mais marcas vazias. ESG não é modinha: é obrigação. Há alguns anos, fomos para a China desenvolver materiais ecológicos e hoje somos uma das marcas de óculos mais sustentáveis do mundo. Incorporamos a linha Eco em várias coleções, com modelos feitos de capim-prado, plástico retirado do fundo do mar e materiais biodegradáveis. Nosso modelo de contêiner, o Eco Chilli, também é feito de material reciclado e movido a energia solar. Ser cada vez mais sustentável é um compromisso nosso e vamos forte nesse caminho.
Você também ganhou ainda mais popularidade por ser jurado do Shark Tank Brasil, que tem um público muito fiel. Como você avalia a experiência de participar do programa?
Entrar no Shark Tank foi uma curva de aprendizado. Conheci gente com brilho no olho, ideias sensacionais e pude contribuir com ideias e experiências, para além do capital. Retornar agora, na 10ª temporada, dá um gás extra para fomentar o empreendedorismo acessível e real.
Quais são os principais negócios que você mantém no RS atualmente? Como avalia a capacidade produtiva e o mercado consumidor do Estado?
O mercado do RS é um dos maiores para gente. Já temos 65 pontos de venda no Estado, 35 da Chilli Beans e 30 da Ótica Chilli Beans, e o plano é ampliar essa rede. O consumidor gaúcho é um dos mais antenados do Brasil e adora novidades, ao mesmo tempo que é bastante exigente. Inclusive, isso nos permite lançar novidades e fazer projetos-piloto no Estado. Já estive em centenas de cidades por aí, visitando lojas e palestrando em eventos. Adoro a energia do povo gaúcho.
Qual foi o processo de decisão para deixar de usar dólares nos negócios da Chilli Beans com a China? E como você tem encarado a grande repercussão em relação a esse anúncio?
Nós identificamos uma oportunidade de reduzir custos de importação e, consequentemente, evitar que os produtos chegassem mais caros ao consumidor. Se não tivéssemos tomado essa decisão, haveria impacto direto na margem e na inflação dos nossos preços. Quero reforçar que não se trata de uma questão política, mas sim de gestão de negócio. Olhamos para aquilo que está no nosso controle: custo, logística e operação. E encontramos um caminho que faz sentido para a Chilli Beans.






