
Por essa ninguém esperava. Depois de justificar "as imensas tarifas" aplicadas ao Brasil – país que chamou de "mais corrupto e incompetente" –, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que terá uma conversa com o colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. E mesmo reafirmando que o Brasil usou "censura e repressão", surpreendeu provavelmente até o próprio ao afirmar:
— Encontrei o líder do Brasil, falei com ele. Concordamos que vamos nos encontrar na próxima semana. Ele parece um homem muito agradável. Gosto dele e ele gosta de mim. Gosto de fazer negócio com pessoas de que eu gosto. Quando não gosto, não gosto. Mas tivemos uma química excelente.
Isso ocorreu mesmo depois do discurso em que Lula fez críticas duras ao governo americano. Na plateia, Lula e os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Justiça, Ricardo Lewandowski, chegaram a se alvoroçar.
Trump parece ter confirmado a tese de que o presidente brasileiro é um "encantador de serpentes". E isso em 20 ou 30 segundos, como se referiu o presidente americano à duração do encontro casual na passagem do bastão no púlpito da Assembleia Geral da ONU. Sobre isso, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) já havia dito:
— Não falo com o Lula porque ele me seduz em 15 minutos. É macio e jeitoso.
É uma quebra de gelo muito significativa. Mas para saber se pode modificar a atual relação bilateral e até eliminar "as imensas tarifas", será preciso esperar a confirmação da reunião e a conclusão do encontro. Mas é um precedente tão surpreendente quanto promissor. Em entrevista à apresentadora da CNN americana Christiane Amanpour, o chanceler brasileiro afirmou que, como a agenda de Lula está cheia, talvez a reunião prevista para a próxima semana seja por telefone ou vídeo. Parece ser uma cautela ante o risco de alguma armadilha.
— Parece que Trump viu que o que estava ouvindo sobre o Brasil não era verdade e quer negociação econômica — arrisca o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, também ainda surpreso com o desdobramento.
O mercado reage bem: o dólar, que já vinha caindo, fez um "v" logo depois da declaração de Trump. Chegou a ser cotado abaixo de R$ 5,30 por alguns minutos, mas voltou ao patamar anterior embora ainda registre variação para baixo. A bolsa de valores, por sua vez, subia de forma moderada e acentuou a alta a partir do aceno do presidente dos EUA, que entre o final da manhã e o início da tarde está acima de 1%.
Mas é claro que os "patriotas" que só o são se seus interesses forem atendidos já têm uma "explicação". Paulo Figueiredo, que forma dupla com Eduardo Bolsonaro até na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), fez a seguinte tese:
— Trump é um gênio (...). Deixou o presidente brasileiro numa situação impossível: ter que ir para a mesa de negociação ouvir verdades e negociar algo que não tem como cumprir.
Esta nota está em atualização



