
Não é só a ausência de novas investidas de Donald Trump contra o Brasil após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro que faz o dólar cair. Mesmo que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tenha ameaçado uma resposta dos Estados Unidos "na próxima semana ou algo assim", a moeda americana teve queda de 0,61% nesta segunda-feira (15), para R$ 5,321, menor valor desde 6 de junho de 2024.
Não há perspectiva de qualquer nova medida tarifária por conta de política. O principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), o Ibovespa, também teve sessão de valorização, renovando seu recorde a 143,5 mil pontos, resultado de alta de 0,9%.
A perspectiva de corte de juro nos EUA nesta quarta-feira (17) contribui para o dólar perder valor em todo o mundo. Quando o juro está muito alto no Brasil e mais baixo no mercado americano, há incentivo para aplicações por aqui, o que tem potencial de fortalecer o real.
Rubio afirmou que a Casa Branca adotará "medidas adicionais" contra o Brasil que podem ser anunciadas nos próximos dias:
— Você tem juízes ativistas, um em particular que não apenas persegue Bolsonaro, mas também tenta impor reivindicações extraterritoriais até contra cidadãos americanos — afirmou Rubio à Fox News — Então, haverá uma resposta dos EUA, e teremos alguns anúncios na próxima semana ou algo assim sobre quais medidas adicionais pretendemos tomar.
Estão no radar uma nova leva de cassação de vistos e aplicação à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Viviane Barci, da Lei Magnitsky, chamada de "pena de morte financeira", mas suavizada nesse caso.
A queda mais forte que o esperado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), de 0,5% em julho, indica perspectiva de flexibilização da política monetária nos próximos meses, o que também ajuda a impulsionar a bolsa brasileira.
*Colaborou João Pedro Cecchini




