
O gaúcho Helio Matias, vice-presidente de Logística da Ambipar, está empenhado em dar sustentabilidade ao transporte rodoviário, que domina 60% da movimentação de cargas no Brasil. O grupo em que atua é líder em soluções ambientais no país, atua em 41 países e tem 20 mil funcionários. E é missão de Matias promover a descarbonização em sua área, o que reconhece ser um enorme desafio.
No Estado para participar da Transposul, o executivo disse à coluna que tem plano de abrir um escritório no Rio Grande do Sul no próximo ano. Outra conexão de Matias com o Estado é sua determinação em viabilizar o uso do BeVant, biocombustível alternativo desenvolvido pela B8, de Passo Fundo.
— Temos a audácia de, até 2040, fazer com que toda a nossa frota seja movida a combustíveis não fósseis, seja biodiesel, BeVant ou outros. Somos a primeira empresa de transporte no Brasil a ter caminhões movidos 100% a biodiesel, que reduzem em até 77% a emissão de CO2. O problema é que o vetor da economia vai para o lado esquerdo e o da sustentabilidade, para o lado direito — constata.
Estudioso de problemas e soluções, Matias disse que levou tempo para entender como um litro de diesel, que tem 900 gramas de massa, quando é consumido na câmara de combustão dos caminhões e sai pelo catalisador, emite 2,7 quilos de dióxido de carbono, o CO2.
— É real, um caminhão que roda 10 mil quilômetros em uma semana gera 9 toneladas de CO2, que é o principal vilão do aquecimento global. Precisamos fazer alguma coisa — constata.
Mudança de prioridades
Segundo Matias, embora o custo das alternativas sustentáveis ainda seja alto, é possível limitar o repasse do excedente a cerca de 10%. E embora reconheça as dificuldade, relata que há uma nítida evolução do segmento, que teve quatro fases de prioridades. Começou com prazo, foi para a gestão de qualidade, passou pela segurança e, agora, é a sustentabilidade.
— Existem empresas que começaram a entender essa necessidade e estão dispostas a aceitar essa pequena diferença, especialmente na indústria química, uma das nossas maiores clientes, que tem produtos de alto valor agregado — afirma.
Matias conta, ainda que desenvolveu uma "carreta sustentável", com células fotovoltaicas (para gerar energia solar), sistema de baterias, bomba e mangote (espécie de mangueira curta), para transporte por tanque. Permite economizar com geração de energia limpa, destaca:
— É um projeto inédito que levar ao mercado, principalmente no Rio Grande do Sul, combinando tecnologia e sustentabilidade.




