No dia em que recebeu quase uma centena de jornalistas em Waiblingen, simpática cidade do Estado de Baden-Württenberg, perto de Stuttgart, a Stihl preparou uma surpresa: fez um spoiler de uma edição "de colecionador" de seu principal produto, a motosserra (foto acima). O motivo é a comemoração dos cem anos da empresa em 2026. E para surpresa só de quem conhece pouco essa quase centenária empresa familiar, incluiu na programação uma palestra sobre... manutenção de florestas.
Sim, a fabricante de motosserras está preocupada com a preservação ambiental. E não é porque, afinal, se acabarem as florestas, perderia mercado. A Stihl experimentou a ameaça da mudança no clima. No ano passado, pouco depois que o Rio Grande do Sul foi atingido pelo dilúvio, ao menos uma das quatro unidades produtivas da empresa quase foi inundada pelo habitualmente pacífico rio Rems. Faltou tão pouco que os funcionários chegaram a ser liberados para voltar às suas casas.
Baden-Württeberg é um Estado industrial – foi berço de marcas como Mercedes-Benz e Porsche – e agrícola, com grande produção vinícola. Mas a cada naco de lavoura, tem extensas áreas de bosques e florestas, para surpresa de quem costuma dizer que os europeus só cobram responsabilidade ambiental de outros países porque já destruíram as suas matas. Para o bem dos alemães e do planeta, o país tem cerca de 33% de seu território ocupado por florestas. No entanto, secas, calor e insetos têm abalado a saúde da cobertura vegetal.

O convidado da Stihl para falar sobre o problema ambiental foi Stefan Flückiger, diretor-geral da Inno Forst. Sua atividade é pouco conhecida no Brasil: gerenciar florestas privadas. Flückiger diz que não faz teses, mas se baseia em fatos. E um dos fatos é o que mostra na imagem acima: o aumento exponencial da concentração de dióxido de carbono na atmosfera. E nem tenta disfarçar que, apesar de se falar mais sobre o tema, ainda estamos longe da solução:
— Não estamos no caminho da redução, mas de maiores emissões.
Consciente disso, a Stihl começou, anos atrás, a produzir equipamentos a bateria. Hoje, tem fábricas desses componentes em Waiblingen e em Virginia Beach, nos Estados Unidos, e em breve começa a produção na Romênia. As células ainda vêm principalmente da Ásia, mas uma das características da empresa é verticalizar a produção: fabrica quase todos os insumos "em casa", assim como desenvolve algumas máquinas usadas na produção e testagem.
Pragmático, Flückiger diz que, diante da emergência de manter cobertura vegetal capaz de ajudar a mitigar a mudança no clima, cuidar das florestas que ainda vivem não deve ser meta de ecologistas e ambientalistas, mas de todo ser humano:
— Manter as florestas vivas não é impulso romântico: tem um objetivo egoísta. Não fazemos pela natureza, mas por nós. Precisamos de florestas para manter a humanidade viva.

