
O mercado vive um período de euforia pré-corte de juro. Lá nos Estados Unidos, claro. O reforço na expectativa de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) reduza sua taxa básica em 0,25 ponto percentual levou o dólar a menos de R$ 5,30 pela primeira vez em 15 meses. A cotação oscilou nos últimos minutos e fechou em R$ 5,298, com baixa de 0,43%. O Ibovespa subiu menos de 0,5%, mas alcançou 144,2 mil pontos pela primeira vez na história.
Tem havido uma chuva de recordes na bolsa de valores no Brasil. Antes era dia sim, dia não, agora é dia sim, outro também. Isso significa que o mercado financeiro nacional vive seu momento de maior euforia? Não exatamente. Assim como o dólar precisa ser corrigido pela inflação, o principal índice da B3 também precisa ser atualizado para uma comparação mais precisa.
Sim, os recordes existem. Mas são nominais. Embora seja representado por pontos, que parecem não ser afetados pelo tempo, o Ibovespa é formado pelos preços das ações que o compõem. Se esses valores fossem atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a máxima real seria de 192 mil pontos, nível alcançado em 2008. Os recordes nominais estão na faixa dos 140 mil pontos.
O ano não é coincidência: foi o marcado pela explosão da bolha imobiliária nos Estados Unidos, precedida pela chamada "exuberância irracional", em que quase todos os mercados tocaram suas máximas históricas. Há uma boa notícia embutida nessa constatação: existe espaço para subir mais sem que isso indique algum desequilíbrio.




