
Na famigerada "cartinha" que, em 9 de julho, anunciou tarifa de 50% contra o Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu a medida a uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, e a "ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos".
Depois de brincar de rei do mundo nos castelos da monarquia do Reino Unido, Trump está dedicado à sua própria caça às bruxas. Em sinal de que está disposto a violar fundamentalmente a liberdade de expressão dos americanos (repetição proposital), afirmou, nesta sexta-feira (19), que a Comissão Federal de Comunicações (FCC) deveria revogar licenças de canais que criticam seu governo.
— Li em algum lugar que as TVs estavam 97% contra mim (na campanha), e ainda assim ganhei com facilidade. Talvez suas licenças devessem ser retiradas. Isso ficará a cargo de Brendan Carr — afirmou Trump, mencionando o presidente da FCC no voo de volta aos EUA.
Nos EUA, a expressão "liberdade de expressão" tem muito mais peso do que no Brasil. Está na primeira emenda da Constituição americana, e em seu nome o país costumava – até agora — ser mais tolerante do que a média dos países até sobre discursos de ódio.
A ameaça de Trump não parece bravata porque críticas já afetaram dois apresentadores populares nos EUA. Há poucos dias, a ABC tirou do ar "indefinidamente" o programa de Jimmy Kimmel. O comediante não atacou Trump, mas adeptos do Maga (Make America Great Again, Faça a América grande de Novo). Em julho, a rede CBS anunciou que o tradicional Late Show, comandado pelo humorista Stephen Colbert – criticado por Trump –, sairá do ar em 2026.
Nesta semana, Trump abriu processo contra o jornal The New York Times exigindo US$ 15 bilhões (R$ 79,5 bilhões, na cotação atual) em indenizações. A vitória jurídica é improvável, mas um processo desse tamanho pressiona a empresa tanto financeira (necessidade de contratar advogados) quanto politicamente.
À frente de uma pública caça às bruxas, Trump deveria, ao menos, mudar o argumento para imposição de tarifa punitiva contra o Brasil. Ou adotar taxação contra si mesmo.




