
Depois da surpresa agradável, para usar a palavra empregada pelo presidente dos Estados Unidos para se referir ao colega brasileiro, é a cautela que cerca uma eventual reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Contribuem para que essa sensação prevaleça o perfil imprevisível do atual ocupante da Casa Branca, as interpretações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de que a mão estendida possa ser, na verdade, uma armadilha.
Em entrevista à apresentadora da CNN americana Christiane Amanpour, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que, como a agenda de Lula está cheia, a conversa deve ocorrer por telefone ou vídeo. Parece ser uma garantia contra situações constrangedoras a que já foram expostos, no Salão Oval, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e o da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Na versão de Vieira, o "abraço" mencionado por Trump já virou "aperto de mão".
É certo que Trump determina seu comportamento por simpatias e antipatias com outros chefes de Estado, o que daria caráter genuíno às suas declarações na Assembleia Geral da ONU. No entanto, tem temperamento impulsivo e oscilante. É uma dúvida legítima se a "química excelente" dura uma semana inteira. Ou se é genuína.
Lula, por sua vez, costuma ser descrito como um "encantador de serpentes". O senador Ciro Nogueira (PP-PI) já disse:
— Não falo com o Lula porque ele me seduz em 15 minutos. É macio e jeitoso.
Mesmo assim, a duração do encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU – para usar a informação de Trump, teriam sido 39 segundos – é escassa até para um mestre da sedução política.
O mercado continua reagindo bem: o dólar fez um "v" logo depois da declaração de Trump, chegou a ser cotado abaixo de R$ 5,30 por alguns minutos e voltou ao patamar anterior entre o final da manhã e o início da tarde. Agora, faltando uma hora para o fechamento, acumula baixa de 1% e se firma no nível de R$ 5,20. A bolsa de valores mantém alta acima de 1%.
Se o improviso de Trump foi de fato espontâneo e genuíno ou se esconde uma agenda diferente só se saberá com certeza depois do final do encontro, caso seja confirmado. Mas é um precedente tão surpreendente quanto promissor.
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