
Depois que o dólar furou o teto da meta combinada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a crise na Argentina se agrava. Para tentar evitar que a cotação se distancie muito, o governo voltou a adotar limites de negociação da moeda americana – o chamado "cepo" – para diretores, gerentes, acionistas que tenham mais de 5% do capital de bancos e financeiras autorizados a operar no mercado oficial (e familiares).
A mudança de escala da crise aparece no salto das manchetes de veículos especializados, como o Ambito, para os de informação geral, como Clarín e La Nación. A tensão fez o ministro da Economia, Luis Caputo, tentar tranquilizar o mercado. Afirmou, na quinta-feira (18), que está atuando para garantir os pagamentos dos próximos compromissos internacionais do país.
— Não 'defaulteamos' em 2023, quando chegamos e havia só duas escovas de dentes. Se acreditam que vamos fazê-lo na situação atual, saibam que não — afirmou um também tenso Caputo.
Faz seu papel de tentar acalmar uma situação estressada, mas quando o ministro da Economia precisa dizer publicamente que não vai dar calote, é porque o risco é elevado.
O risco país, que vinha subindo desde a derrota do atual presidente, Javier Milei, nas eleições da província de Buenos Aires, disparou. Passou dos 1,4 mil pontos, a máxima em um ano, fazendo com que se discuta, no país, se vai chegar a 1,5 mil – cotação atingida na quinta-feira por alguns tipos de câmbio. Desde a derrota eleitoral, acumula alta de 57%. O principal índice da bolsa argentina, o S&P Merval, caiu 8,8% em dólares e acumula tombo de 26% só em setembro.
Na frente política, a situação não está muito melhor: Milei enfrenta resistências no Congresso para aprovar projetos de novos cortes de gastos. No próximo mês, haverá eleição legislativa nacional em meio a essa tensão. Por isso, não descartam mudanças no regime cambial. Conforme a consultoria econômica 1816, citada pelo jornal econômico Ambito, há risco de que as reservas líquidas do Banco Central da República Argentina (BCRA) voltem ao negativo em fevereiro de 2026.




