
O cenário da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que termina na quarta-feira (17), é bem diferente do que cercou a decisão anterior, marcada pelo detalhamento do tarifaço de 50% sobre o Brasil. Se antes os Estados Unidos ajudaram a criar preocupação, tudo indica que, agora, ajudarão com uma poda no juro de referência por lá. E com o declínio do dólar, que já está em R$ 5,50 no Relatório Focus, com redução de R$ 0,05 em relação à semana anterior.
O que o mercado espera para a próxima "superquarta" (17) é uma redução de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). No Brasil, não há expectativa de alteração na Selic. A atenção estará focada no comunicado publicado logo depois da reunião. A maioria espera manutenção também da expressão "manutenção por período bastante prolongado" da taxa atual, mas uma eventual mudança não surpreenderá a todos.
Entre a reunião anterior, encerrada em 30 de julho, e a próxima, a inflação diminuiu e a atividade desacelerou, cumprindo dois objetivos do choque monetário iniciado em dezembro de 2024. Nesta segunda-feira (15), as apostas para o IPCA voltaram a declinar no Relatório Focus (de 4,85% para 4,83%), depois da interrupção da semana passada. A aposta dominante é de que os cortes de juro no Brasil comecem em janeiro de 2026 – ano eleitoral. Mas vários economistas veem possibilidade de alguma poda ainda neste ano, alguns de grandes bancos internacionais.
A alteração no texto considerada mais provável é a retirada do aviso de que o Copom poderá voltar a elevar o juro básico no curto prazo. Essa mudança consolidaria o período como uma etapa de manutenção do juro, para só depois mexer no "período bastante prolongado".
Isso poderia ocorrer na reunião de 5 de novembro – caso o dólar siga nesse patamar e se mantenham os sinais de desaceleração. A última chance de corte ainda em 2025 seria em 10 de dezembro. Não é a perspectiva dominante, mas não é impossível.



