
Na semana passada, só o apoio verbal do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao colega da Argentina, Javier Milei, foi suficiente para acalmar dólar e risco país, que haviam chegado a 1,5 pesos e pontos. Nesta semana, porém, o mercado financeiro de Buenos Aires parece ter entrado em modo "pagar para ver", como nos jogos de pôquer.
Na segunda-feira (29), uma da atuais sete cotações do dólar na Argentina, a CCL, voltou ao patamar de 1,5 mil. E o risco, que havia caído abaixo de mil pontos, subiu para 1,1 mil. Os recibos de ações de empresas argentinas negociados em Nova York também caíram, evidenciando que o efeito das palavras se esgotou.
Como a promessa de Trump é só liberar swap cambial (troca de moedas) de US$ 20 bilhões depois da eleição parlamentar de 26 de outubro. Falta muito. As negociações técnicas para o socorro apenas começaram, mas o governo Milei quer tentar um "adiantamento" para reduzir o risco de disparada do dólar até a data do pleito, que renova metade da Câmara e um terço do Senado.
Outra medida adotada por Milei para enfrentar a crise cambial, a suspensão da cobrança de impostos sobre exportações agrícolas (retenciones) está perto de alcançar seu limite. A regra previa o fim da isenção até 31 de outubro ou até o limite de entrada de US$ 7 bilhões. Conforme cálculos do mercado, só falta entrar cerca de US$ 2,7 bilhões.
No mercado, também há dúvidas se os US$ 20 bilhões, que parecem muito, serão suficientes. As estimativas de vencimentos da dívida argentina em 2026 e 2027 chegam a US$ 37 bilhões. Com essas cifras, o governo Milei teria de encarar uma desvalorização – o ministro da Economia, Luis Caputo, voltou a negar essa hipótese –, uma saída gradual das bandas cambiais – hoje entre a mínima de 946 e máxima de 1.478 pesos –, ou adoção de restrições mais severas para transações em dólares.



