
Depois que dólar e risco-país atingiram 1,5 mil (pesos e pontos), na sexta-feira (19), a Argentina tenta evitar que a crise cambial se agrave até as eleições parlamentares de outubro. Nesta segunda-feira (22), o governo Milei anunciou que vai zerar a cobrança de impostos sobre exportações agrícolas – as chamadas retenciones – até 31 de outubro.
"A velha política busca gerar incerteza para boicotar o programa do governo. Ao fazê-lo, castigam os argentinos: não vamos permitir. Por isso, e com o objetivo de gerar maior oferta de dólares durante este período, até 31 de outubro haverá 'retenciones' zero para todos os grãos", foi o anúncio feito pelo porta-voz da presidência argentina em rede social.
A cobrança do tributo faz com que os exportadores de grãos evitem levar os recursos da venda para dentro do país. A expectativa é de que, com a interrupção na cobrança, esses dólares voltem a entrar na Argentina, contribuindo para aliviar a cotação que já furou o teto da meta cambial combinada pelo governo Milei com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Essa é uma das tentativas de superar a crise cambial, mas não é a única. Há expectativa de anunciar, nas próximas horas, um swap cambial com o Tesouro dos Estados Unidos. A operação é semelhante à que o país já tem com a China. Caso seja bem-sucedida, a iniciativa pode afastar o risco de default (calote) no pagamento de parcelas da dívida pública argentina.
Na sexta-feira, em Córdoba, o presidente Javier Milei confirmou que busca apoio do governo Donald Trump nesse momento em que o Banco Central (BCRA) precisa intervir no mercado de câmbio para não deixar o dólar disparar ainda mais. A finalidade da operação, disse Milei, é mesmo cobrir os próximos vencimentos da dívida do país em 2026.
— Tínhamos clareza de que este ano seria muito complicado e já havíamos começado a desenvolver estratégias para cobrir os pagamentos do próximo ano, que são de US$ 4 bilhões em janeiro e US$ 4,5 bilhões em julho. Essas negociações levam tempo. Até que sejam confirmadas, não faremos nenhum anúncio. Mas estamos trabalhando muito, estamos muito avançados — afirmou Milei.
O acerto parece mesmo ser questão de tempo. Pode ser anunciado depois de reunião bilateral entre Trump e Milei nesta semana, já que o presidente argentino está indo para os Estados Unidos para participar da assembleia-geral da ONU. Nesta segunda-feira (22), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que o governo Trump está "pronto para fazer o necessário" para apoiar a Argentina.
— As opções podem incluir, mas não se limitam a, linhas de swap, compras diretas de moedas e aquisições de dívida governamental em dólares — confirmou Bessent.






