
O primeiro corte de juro do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) na atual gestão de Donald Trump era amplamente esperado. O mercado financeiro manteve o otimismo dos últimos dias nesta quarta-feira (17), com o principal índice da bolsa de valores brasileira (B3), o Ibovespa, subindo 1,06% e renovando seu recorde nominal, a 145.593 pontos.
O resultado de fechamento, no entanto, ficou distante da máxima da sessão, de 146.330 pontos. A decisão do Fed não foi unânime e trouxe novas especulações em relação à independência do banco central americano, que sofre pressão de Trump desde antes de sua posse.
Indicado pelo presidente dos EUA, Stephen Miran votou por corte de 0,5 ponto percentual, único integrante do comitê em desacordo com os demais, que preferiram seguir a cartilha usual do Fed, de fazer mudanças cautelosas de 0,25 p.p., dada a taxa nominal muito menor.
O voto de Miran adicionou dúvidas sobre os movimentos de eventuais indicados por Trump ao Fed, o suficiente para fazer a bolsa brasileira desacelerar a sua alta e o dólar estacionar, fechando em leve oscilação para cima de 0,06%, para R$ 5,301.
Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a autarquia está "fortemente comprometida em manter a independência" e que, em uma "situação tão diferente quanto a atual", "seria surpreendente caso não houvesse ampla gama de opiniões". As falas também indicaram mais cautela quanto aos próximos cortes, tirando parte da euforia dos investidores.
E o juro no Brasil?
Depois das 18h30min, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) apresenta a sua decisão sobre o juro no Brasil. Por aqui, não é esperado corte: deve ser mantida a Selic nos atuais 15%.
No entanto, o início do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA pode ajudar a abrir espaço para que o Copom também comece o seu, o que empurra a bolsa para cima. O corte de juro americano tem potencial de valorizar o real frente ao dólar, com a esperada migração de investidores para mercados com taxas maiores.
*Colaborou João Pedro Cecchini



