
Como a decisão de manter o juro básico em 15% ao ano era amplamente esperada, todas as expectativas do mercado se focavam no comunicado publicado logo depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No dia em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) enfim cortou a taxa de referência americana, seu equivalente nacional não aliviou nem a taxa, nem o tom.
O comunicado manteve o trecho em que afirma ver necessidade de manter a "política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado". E não fez sequer a concessão mais esperada, de eliminar a ameaça de novas altas:
"O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado."
O conjunto da obra não dá qualquer sinal de que há chance de corte no juro ainda neste ano. Essa não é uma aposta dominante no mercado, mas vários economistas respeitáveis consideravam possível, ao menos até esta quarta-feira (17).
Entre os motivos da cautela, o Copom listou o problema fiscal, que segue incomodando, e o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump ao Brasil, que marcou a reunião anterior:
"O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza."




