
Depois do sinal de que deve reestruturar sua dívida, a Braskem teve suas notas de crédito revistas para baixo por agências de avaliação de risco. A informação foi dada pela própria companhia na manhã desta segunda-feira (29). Como tem ações negociadas na bolsa, é obrigação da Braskem relatar essas alterações.
Conforme a companhia, a Fitch Ratings revisou sua nota em escala global para CCC+, enquanto a S&P Global Ratings rebaixou para CCC-, ambas com perspectiva negativa, ou seja, com possibilidade de novas reduções se e quando a reestruturação da dívida seja oficializada.
O nível de nota CCC significa "capacidade muito limitada de honrar os compromissos financeiros". Está a apenas dois degraus do D, de "default" (calote). Quando ocorrem reestruturações, os credores tendem a receber menos do que o valor devido e em prazo mais dilatado.
Na sexta-feira (26), a companhia informou ter contratado uma consultoria para "diagnóstico de alternativas econômico-financeiras para otimizar a sua estrutura de capital (veja íntegra no final deste texto)".
A controladora da Braskem, Novonor (ex-Odebrecht), que tem 38,3% do capital total da empresa, está em recuperação judicial. A sócia relevante, com participação muito semelhante (36,1%), é a Petrobras. Se a estatal decidisse aumentar sua participação na empresa, poderia provocar uma estatização, como já foi cogitado em 2023.
A íntegra da nota
A Braskem S.A. vem comunicar aos seus acionistas e ao mercado em geral que as agências de classificação de risco Fitch Ratings e S&P Global Ratings revisaram a nota de crédito da Companhia em escala global para CCC+ e CCC- com perspectiva negativa, respectivamente. A Companhia reforça o compromisso com seus stakeholders e segue com foco na implementação das iniciativas de resiliência e de transformação para mitigar os relevantes impactos decorrentes do prolongado ciclo de baixa global da indústria e para o fortalecimento da competitividade da indústria química brasileira.
O imbróglio da Braskem
A Braskem está à venda desde 2018. A companhia é controlada pela Novonor (ex-Odebrecht), que entrou em crise depois da operação Lava-Jato. A empresa privada tem 38,3% do capital total da Braskem e 50,1% das ações ordinárias, enquanto a Petrobras tem 36,1% do capital social e 47% das ordinárias.
O primeiro ensaio, em 2019, foi uma tentativa de evitar a recuperação judicial da então Odebrecht. Mas fracassou, por falta de transparência na avaliação dos passivos por danos na mineração de sal-gema em Maceió (AL). Não por acaso, o pedido de RJ veio 15 dias depois.
Desde então, a Braskem fez sucessivas reavaliações sobre suas despesas com indenizações a moradores, à prefeitura da capital alagoana e ao governo do Estado. Atualmente, está por volta de R$ 18 bilhões. Ainda houve uma tentativa de venda à estatal de petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, que também não avançou. A tentativa anterior mais recente havia sido uma negociação entre os bancos credores da Novonor para executar a dívida com garantia nas ações da Braskem e passar a gerir a empresa a partir do fundo Geribá, que já foi controlador da Polo Films, uma das raras empresas do polo que não pertence à Braskem.





