
Dois meses depois de ser anunciado, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e Associação Europeia de Livre-Comércio (Efta, bloco formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) será assinado nesta terça-feira (16), no Rio de Janeiro.
Segundo o governo federal, a parceria vai criar mercado com cerca de 300 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 4,3 trilhões. Quando os primeiros impactos do tarifaço de Donald Trump começam a ficar visíveis, o Brasil reforça sua aposta em novos acordos comerciais, como o entre Mercosul e União Europeia (UE), que será o maior do mundo caso seja bem-sucedido.
Apesar de as tratativas já terem sido concluídas, o acordo não entrará em vigor logo após a assinatura: ainda precisa ser encaminhado para os respectivos processos internos de aprovação e ratificação dos países envolvidos. No entanto, há possibilidade de que o tratado comece a valer de forma bilateral, bastando que ao menos um país de cada bloco conclua seus trâmites internos.
A Efta eliminará 100% das tarifas de importação dos setores industrial e pesqueiro quando o acordo entrar em vigor. Produtos agrícolas exportados pelo Mercosul terão acesso preferencial ao mercado do bloco europeu, com comércio sem tarifas ou por meio de concessões parciais.
O governo federal prevê oportunidades para produtos brasileiros como carnes, milho, farelo de soja, melaço de cana, mel, café torrado, álcool etílico, frutas e sucos. No Estado, conforme a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), há potencial de ganho para os setores de couro, tabaco, biodiesel e carne de frango.
O Brasil liberalizará cerca de 97% do comércio com a Efta. No entanto, chocolates suíços mais baratos entrarão no país com quotas. Ou seja, só uma fatia das importações do produto será livre de tarifas. Vai ficar mais barato para nós? Não é o que projetam especialistas, que avaliam que a disparada do cacau ainda pressiona o preço dos chocolates, apesar da potencial redução de imposto.
Balança comercial
O valor do total de embarques do RS para os países da Efta somou US$ 37,9 milhões e o de produtos embarcados de lá para cá chegou a US$ 91,3 milhões em 2024. Significa que o Estado tem saldo negativo, ou seja, compra mais do que vende ao mercado do bloco europeu.
O Brasil também compra mais do que vende à Efta, apontam dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). As exportações atingiram US$ 3,1 bilhões em 2024, enquanto as importações, US$ 4,1 bilhões.
Entre os principais produtos enviados, aparecem ouro para Suíça (US$ 948,2 milhões) e óxido de alumínio para Noruega (US$ 853 milhões) e para Islândia (US$ 321,6 milhões). Na via contrária, destacam-se sobretudo compras de medicamentos e produtos farmacêuticos da Suíça (US$ 1,1 bilhão).
Histórico do acordo
As negociações entre Mercosul e Efta começaram em janeiro de 2017. Houve anúncio de entendimento inicial em 2019. Seis anos depois, as partes fecharam acordo.
Criada em 1960 como área de livre-comércio, a Efta inclui países cujos PIBs somam cerca de US$ 1,4 trilhão.
*Colaborou João Pedro Cecchini

