
O jornalista Anderson Aires colabora com a colunista Marta Sfredo, titular deste espaço.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia de inflação oficial do país, de agosto trouxe a primeira deflação desde julho de 2023, mas recuou menos do que o esperado.
Com isso, apesar de mostrar uma descompressão de preços, o indicador está longe de ser um ingrediente de peso para deixar o Banco Central (BC) mais confortável para antecipar o corte do juro básico no país.
Em agosto, o IPCA-15 caiu 0,14% após registrar alta de 0,33% em julho. Além da primeira deflação em dois anos, esse é o menor patamar desde setembro de 2022 (-0,37%). Boa parte o mercado esperava queda mais intensa, rondando os 0,2%.
Especialistas apontam que, mesmo com queda geral nos preços, a prévia ainda mostra sinais de uma inflação persistente.
Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, entende que o dado de agosto "trouxe um quadro menos benigno que o esperado, refletindo um impacto menor do bônus de Itaipu". Além disso, destaca pressões mais fortes nos serviços, segmento olhado com lupa pela autoridade monetário, que mantém o sinal de alerta.
Nesse sentido, estima um BC mais restritivo em relação ao juro para conter de forma mais contundente o comportamento dos preços no país, deixando a porta fechada para corte ainda neste ano.
André Perfeito, que é da corrente de economistas que enxergam espaço para redução na Selic em 2025, também afirma que a abertura dos dados não mostram um cenário "tão favorável assim", com dispersão subindo para 57,2% e os serviços ainda pressionados.
Perfeito segue otimista por corte mais célere na Selic, mas não por conta dos dados do IPCA-15.
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